Ex-médico vai a júri por esquartejar ex-namorada; entenda o caso
da Folha Online
O ex-médico Farah Jorge Farah será julgado nesta terça-feira pelo assassinato da ex-namorada e sua paciente Maria do Carmo Alves, em 2003, em São Paulo. A vítima foi esquartejada no consultório do cirurgião plástico, na região de Santana, zona norte da cidade.
Farah teria levado dez horas para matar a vítima, de 46 anos. À época, a polícia informou que ele usou bisturi e pinças para dissecar o corpo e retirar a pele de parte do rosto, do tórax e das pontas dos dedos das mãos e dos pés.
O crime ocorreu em uma sexta-feira, 24 de janeiro. O cirurgião passou a noite em seu consultório e, na manhã de sábado, teria retirado os pedaços do corpo, guardados em sacos plásticos, e colocado no porta-malas de seu carro.
Logo após, ele se internou em uma clínica psiquiátrica, a mesma em que o jornalista Antonio Pimenta Neves ficou após matar sua ex-namorada e também jornalista Sandra Gomide em 2000. Farah teria confessado o crime a uma sobrinha durante visita. Ela, então, o denunciou.
O corpo esquartejado foi encontrado pela polícia na madrugada de segunda-feira no veículo do médico, que estava na garagem do prédio onde ele morava, também na zona norte de São Paulo. Ele foi preso horas depois.
No dia seguinte, em depoimento à polícia, o médico confessou o assassinato, mas afirmou ter sofrido um "lapso de memória" em relação aos detalhes do crime. Ele disse que se lembrava apenas da chegada da dona-de-casa à clínica. Preso, ele alegou legítima defesa e disse que a vítima o perseguia.
Em novembro de 2006, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) cassou a licença para o exercício de medicina de Farah. Ele está em liberdade provisória desde de maio de 2007, quando sua defesa argumentou que não havia motivos para que ele fosse mantido preso preventivamente. "Não há risco de fuga, nem há mais clamor público", disse seu advogado na época.
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