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Cotidiano
15/04/2008 - 17h45

Defesa de Farah exibirá "Atração Fatal" para sensibilizar júri

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GABRIELA MANZINI
da Folha Online

A defesa do ex-médico Farah Jorge Farah, acusado de matar e esquartejar a ex-namorada e sua paciente Maria do Carmo Alves, em 2003, em São Paulo, quer transmitir durante o julgamento os filmes "Atração Fatal", de 1987, e "Tomates Verdes Fritos", de 1991. O Júri de Farah, marcado para começar às 10h desta terça-feira, começou com mais de quatro horas de atraso.

A estratégia da defesa do ex-médico em exibir o filme, de 1987, é mostrar um exemplo de perseguição passional. Os advogados de Farah alegam que ele matou a ex-namorada porque ela o perseguia. Ele chegou a confessar o crime fazendo essa alegação.

No filme "Atração Fatal", o personagem Dan Gallagher, vivido pelo ator Michael Douglas, é um advogado que tem um caso com a executiva Alex Forrest, interpretada por Glenn Close, durante um período em que a mulher viaja. Quando a mulher do advogado retorna, Alex começa a perseguir Dan com ameaças à mulher e à sua filha.

Já a família de Maria do Carmo nega que ela tenha sido amante de Farah. Alice Silva, 70, mãe da vítima, afirmou em entrevista que nunca viu o ex-médico e que se pudesse "nem olharia na cara dele".

"O que ele fez com ela [Maria do Carmo] não se faz nem com um bicho feroz. Se não houve justiça aqui, de Deus ele não escapa", disse a mãe da vítima.

Para o promotor Alexandre Marcos Pereira, que deu entrevista antes do início do julgamento, o crime foi fruto da impunidade. Ele diz que existem relatos de outras mulheres que teriam sofrido abusos no consultório de Farah. Segundo Pereira, as pacientes relataram que eram abusadas quando estavam anestesiadas e que a maioria dos casos foi arquivado. O promotor disse acreditar que o ex-médico cometeu o crime por pensar que ficaria impune.

Já o ex-médico alegou, durante o julgamento, que não assediava suas pacientes e sim era assediado por suas clientes.

Crime

O crime ocorreu no consultório de Farah, na zona norte da cidade. A vítima, de 46 anos, também era paciente do cirurgião plástico. À época, a polícia informou que Farah usou um bisturi e pinças para dissecar o corpo de Alves e retirar a pele de parte do rosto, tórax e pontas dos dedos das mãos e pés. O processo teria levado dez horas.

Preso, ele alegou legítima defesa e disse que era perseguido pela vítima. Partes do corpo dela foram encontradas embaladas em sacos de lixo plásticos, escondidos no porta-malas do carro de Farah.

O crime ocorreu em uma sexta-feira, 24 de janeiro. O cirurgião passou a noite em seu consultório e, na manhã de sábado, teria retirado os pedaços do corpo, guardados em sacos plásticos, e colocado no carro.

Logo após, ele se internou em uma clínica psiquiátrica, a mesma em que o jornalista Antonio Pimenta Neves ficou após matar sua ex-namorada e também jornalista Sandra Gomide em 2000. Farah teria confessado o crime a uma sobrinha durante visita. Ela, então, o denunciou.

Ao ser preso, em depoimento à polícia, o médico confessou o assassinato, mas afirmou ter sofrido um "lapso de memória" em relação aos detalhes do crime. Ele disse que se lembrava apenas da chegada da dona-de-casa à clínica.

No entanto, a acusação vai alegar que o esquecimento de Farah é seletivo.O promotor disse achar "curioso" o fato de o ex-médico lembrar detalhes anteriores e posteriores do crime, mas não lembrar do momento em que matou Maria do Carmo.

Em novembro de 2006, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) cassou a licença para o exercício de medicina do cirurgião.

 

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