Cotidiano
15/04/2008 - 18h04

Ninguém sabe o que eu sofri, diz à Justiça acusado de esquartejar mulher em SP

GABRIELA MANZINI
da Folha Online

Acusado de esquartejar a paciente e ex-namorada Maria do Carmo Alves, em 2003, o ex-médico Farah Jorge Farah afirmou nesta terça-feira, em interrogatório à Justiça, que foi perseguido e ameaçado pela vítima durante cinco anos, antes de cometer o crime. "Aquela mulher me atacou e eu me defendi tanto quanto pude. De lá para cá eu não me lembro. Eu surtei", afirmou.

"Ninguém estava na minha pele naquele dia. Ninguém estava na minha pele naqueles cinco anos para saber o que eu sofri", disse.

02.fev.2003/Folha Imagem

O interrogatório é parte do julgamento de Farah, que está em liberdade provisória desde de maio de 2007. O ex-cirurgião plástico falou diante dos pais da vítima. Também na platéia, uma sobrinha da vítima --Aline Santos-- chorava.

"Se não houve Justiça aqui [Justiça], de Deus ele não escapa", disse a mãe da vítima, Alice Silva, 70, antes da audiência.

Crime

O crime ocorreu no consultório de Farah, em Santana, zona norte de São Paulo. Em novembro de 2006, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) cassou a licença para o exercício de medicina do cirurgião.

À época do crime, a polícia informou que Farah usou um bisturi e pinças para dissecar o corpo de Alves e retirar a pele de parte do rosto, tórax e pontas dos dedos das mãos e pés. O processo teria levado dez horas.

Preso, ele alegou legítima defesa e disse que era perseguido pela vítima. Partes do corpo dela foram encontradas embaladas em sacos de lixo plásticos, escondidos no porta-malas do carro.

Durante o interrogatório, o médico disse que estava sozinho no consultório quando Maria do Carmo chegou e que estava com uma faca. Ele afirma que reagiu, mas que não se lembra do que ocorreu depois que ele desarmou a vítima.

Disse, ainda, não lembrar ter colocado os pedaços do corpo no veículo. "Eu não sabia se era realidade, sonho ou pesadelo".

Também à Justiça, Farah insistiu que Maria do Carmo praticou "terrorismo" contra ele e os pais idosos --que morreram enquanto o ex-médico estava preso.

Júri

O júri do caso ocorre no fórum de Santana (zona norte). O conselho de sentença é formado por cinco mulheres e dois homens.

Segundo o Tribunal de Justiça, a expectativa é de que a sentença seja conhecida na quarta-feira (16).

 

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