Governo muda sistema de segurança de presídio que abriga Beira-Mar e Abadía
RODRIGO VARGAS
da Agência Folha, em Campo Grande
Dois dias após o ataque à Penitenciária Federal de Campo Grande (MS) --considerada a mais segura do país e onde estão presos os traficantes Fernandinho Beira-Mar e o colombiano Juan Carlos Abadía--, o Depen (Departamento Penitenciário Nacional) confirmou nesta terça-feira alterações no sistema de segurança da unidade.
"Do jeito que está, não entra ninguém nem a [rede terrorista] Al Qaeda. Mas, quanto mais segurança, melhor", disse hoje o diretor do Sistema Penitenciário Federal, Wilson Salles Damázio.
Por razões de segurança, ele não revela todas as medidas que serão adotadas, mas disse que será feita a derrubada de áreas de mata ao redor do presídio. Segundo Damázio, o modelo da penitenciária, que usa grades em vez de muralhas, é mais adequado às áreas descampadas.
As duas torres localizadas nos fundos do presídio, hoje com seis metros de altura, vão ser aumentadas em pelo menos quatro metros --no entanto, segundo o diretor, a medida já estaria prevista antes do ataque, em razão da existência de um desnível ao longo do terreno da unidade.
A unidade foi atacada às 22h05 de domingo (13). Pelo menos oito homens fortemente armados, divididos em dois grupos, dispararam várias vezes contra as quatro torres de vigilância.
Os agentes penitenciários reagiram com tiros, granadas e bombas de efeito moral. Após 20 minutos de confronto, os agressores fugiram.
Anteontem, Damázio qualificou a ação como uma "tentativa frustrada" de resgate --a unidade, que tem 208 celas individuais, abriga hoje 155 presos. Também considerou que o ataque possa ter sido apenas um "teste de força".
Espaço aéreo
Durante o ataque de ontem (14) e no dia 19 de janeiro, helicópteros não-identificados foram avistados pelos agentes.
Nenhum dos sobrevôos foi detectado pelos radares da Aeronáutica. Segundo Damázio, o Depen faria uma reunião com o comando da Aeronáutica ainda ontem para discutir o tema.
"Precisamos afinar o discurso. Ainda não sabemos como pode ser feito o controle do espaço aéreo da unidade."
O delegado Luiz Adalberto Philippsen, superintendente regional da Polícia Federal, evitou comentar as primeira perícias realizadas na unidade.
"O que podemos dizer é que dificilmente um grupo teria a coragem de abrir fogo contra a penitenciária, se não tivesse meios e treinamento para isso."
Segundo ele, o delegado Antônio Knoll, designado para chefiar a investigação, já arrolou as primeiras testemunhas --agentes que participaram da reação ao ataque e moradores da vizinhança da penitenciária. O prazo para conclusão do inquérito é de 30 dias.
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