Polícia ouve depoimentos no caso Isabella; advogados vão à delegacia
da Folha Online
da Folha de S.Paulo
A Polícia Civil de São Paulo deve ouvir nesta quarta-feira ao menos 2 das 22 pessoas indicadas pela defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, morta no último dia 29. Os advogados do casal chegaram ao 9º DP (Carandiru), que centraliza as investigações sobre o caso, por volta das 10h e disseram que vão acompanhar os depoimentos.
Reportagem de André Caramante publicada pela Folha mostra que o casal deve ser indiciado pela morte da menina e que, depois, a polícia pedirá à Justiça a decretação da prisão preventiva de ambos. A decisão ocorreu depois que a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual confirmaram que Isabella foi agredida pela madrasta e jogada do sexto andar do Edifício London, na Vila Isolina Mazzei (zona norte de SP), pelo próprio pai.
Ao chegarem à delegacia, os advogados Ricardo Martins e Rogério Neres de Souza afirmaram que está ocorrendo pré-julgamento no caso e pediram cautela. "Nós temos que aguardar os laudos e não podemos nos precipitar", afirmou Martins.
Ontem (15), o advogado Marco Polo Levorin, um dos defensores de Nardoni e Anna Carolina desqualificou a conclusão da polícia de que foram eles os assassinos da menina.
| Moacyr Lopes Jr/Folha Imagem |
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| Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá seguem até Guarulhos, onde estão os filhos |
A expectativa é de que na sexta-feira (18) --data em que Isabella completaria seis anos--, o casal será novamente interrogado para esclarecer o "homicídio qualificado consumado".
Por volta das 8h40 de hoje, Nardoni deixou em um veículo a casa do pai, no Tucuruvi (zona norte), e seguiu em direção a Guarulhos (Grande São Paulo), onde mora o pai de Anna Carolina.
A Polícia Civil já ouviu mais de 50 pessoas durante as investigações sobre o crime. Além delas, os advogados de Nardoni e Anna Carolina entregaram à polícia uma lista com 22 nomes que consideram importantes para a defesa do casal.
Roupas da menina e da madrasta foram entregues à polícia. Uma das roupas, que pertencia a Isabella, teria sido usada pela menina no dia em que foi morta. Ela aparece vestindo a peça no vídeo gravado pelo circuito de segurança do supermercado Sam's Club, em Guarulhos (Grande São Paulo), horas antes do crime.
Perícia
Um dos relatórios elaborados por policiais do 9º DP e repassados à cúpula da Polícia Civil diz: "Na calça jeans usada por Anna na noite dos fatos há gotas de sangue recente, vinculando-a assim, de forma incontestável, à cena do crime". A polícia diz ter certeza de que a mancha não surgiu por contato da madrasta com o corpo, após a queda.
A perícia do IC também encontrou na camiseta de Alexandre vestígios de náilon que podem ser da tela protetora da janela de onde Isabella foi jogada. Uma perita afirmou que resquícios de fibra na camisa podem levar a conclusões. Isso porque, se ele tivesse cortado a tela, a quantidade de fibras seria bem maior do que se ele tivesse apenas encostado nela.
Para peritos, legistas, investigadores e delegados, as agressões de Anna contra Isabella naquela noite de 29 de março fizeram com que ela desfalecesse, passando a impressão de que ela havia morrido. Na seqüência, ainda na interpretação dos responsáveis pelo caso, Nardoni a jogou pela janela e começou a tentar simular a invasão de seu apartamento.
Um casal que mora no prédio vizinho deu uma entrevista ao "Jornal Nacional", da TV Globo, em que afirma que o pai e a madrasta de Isabella tiveram uma briga que durou cerca de 5 minutos pouco antes de a menina ser jogada da janela. A mulher afirma que "não era uma briga típica de casal, era uma briga de desespero".
O relatório que a polícia irá apresentar à Justiça para o pedido da prisão preventiva do casal já está praticamente pronto. Somente os espaços para a indicação e descrição de cada um dos laudos que ajudaram a polícia a formar a convicção contra Nardoni e Anna estão em branco no documento.
Um dos laudos mais aguardados é o que apontará que, no momento em que Isabella foi jogada do apartamento do pai, tanto Nardoni quanto Anna estavam no local.
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