Em júri, pacientes acusam Farah de abuso sexual
GABRIELA MANZINI
da Folha Online
Pacientes do ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah, acusado de esquartejar uma mulher em 2003 em São Paulo, afirmaram nesta quarta-feira, durante o julgamento dele, que sofreram abusos sexuais enquanto estavam sedadas devido a procedimentos cirúrgicos.
Uma delas disse que, ao se recordar do abuso, não acreditou que fosse real. "Mas depois eu comecei a ouvir outras histórias iguais e fiquei assustada."
Os defensores de Farah ressaltam que os inquéritos por abuso abertos a pedido das mulheres foram todos arquivados. O promotor Alexandre Marcos Pereira confirma, mas diz que isso ocorre porque "é uma situação delicada".
"Quando se tem a palavra do médico contra a do paciente, a do médico prevalece. E elas, como elas mesmas disseram, passam por mentirosas".
O advogado Roberto Podval esclareceu que, apesar de sustentar que os abusos relatados não ocorreram, não irá processá-las por falso testemunho. O objetivo é resolver o problema dele [Farah] e não criar problemas pra ninguém."
Para o promotor, os abusos mostram que Farah é "um pervertido, que se aproveitada da posição de médico para abusar das pacientes".
Crime
O ex-médico começou a ser julgado ontem pelo assassinato da paciente e ex-namorada Maria do Carmo Alves, 46. O crime ocorreu no consultório de Farah, em Santana (zona norte). Em novembro de 2006, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) cassou a licença para o exercício de medicina do cirurgião. Em maio de 2007, Farah conseguiu liberdade provisória.
À época do crime, a polícia informou que Farah usou um bisturi e pinças para dissecar o corpo de Alves e retirar a pele de parte do rosto, tórax e pontas dos dedos das mãos e pés. O processo teria levado dez horas.
Ontem, em interrogatório, o ex-cirurgião disse que era ameaçado pela vítima e afirmou não lembrar do momento do crime.
"Aquela mulher me atacou e eu me defendi tanto quanto pude. De lá para cá eu não me lembro. Eu surtei", afirmou. "Ninguém estava na minha pele naquele dia. Ninguém estava na minha pele naqueles cinco anos para saber o que eu sofri."
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