Primeira-dama Marisa Letícia foi paciente de Farah, diz testemunha
da Folha Online
Para provar que o ex-médico Farah Jorge Farah era um cirurgião plástico conceituado em São Paulo, sua defesa levou uma testemunha que confirmou que ele já teve como paciente a atual primeira-dama, Marisa Letícia. O ex-médico começou a ser julgado ontem (15) pelo assassinato, seguido de esquartejamento, da paciente e ex-namorada Maria do Carmo Alves, 46, em 2003.
Os advogados levaram para prestar depoimento Rosangela, uma das secretárias de Farah que trabalhava em sua clínica, na zona norte da cidade, na época do crime.
Questionada pela defesa se o ex-médico era famoso e reconhecido Rosângela respondeu que "era". "Lembro de uma vez que pessoas do exterior vieram para operar com ele", disse a mulher no depoimento.
A defesa então perguntou: "a senhora se lembra que ele operou a atual primeira-dama?" Rosangela respondeu: "sim, operou".
Além de Rosangela, também foram ouvidas nesta quarta-feira ex-pacientes de Farah que afirmaram que sofreram abusos sexuais do ex-cirurgião enquanto estavam sedadas devido a procedimentos cirúrgicos.
Na época dos abusos foram abertos inquéritos com base nas denúncias das pacientes, mas foram arquivados. A defesa de Farah chamou as testemunhas de mentirosas, mas não irá processá-las.
Crime
Maria do Carmo foi morta no consultório de Farah, em Santana (zona norte). Em novembro de 2006, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) cassou a licença para o exercício de medicina do cirurgião. Em maio de 2007, Farah conseguiu liberdade provisória.
À época do crime, a polícia informou que Farah usou um bisturi e pinças para dissecar o corpo da mulher e retirar a pele de parte do rosto, tórax e pontas dos dedos das mãos e pés. O processo teria levado dez horas.
Ontem, em interrogatório, o ex-cirurgião disse que era ameaçado pela vítima e afirmou não lembrar do momento do crime.
"Aquela mulher me atacou e eu me defendi tanto quanto pude. De lá para cá eu não me lembro. Eu surtei", afirmou. "Ninguém estava na minha pele naquele dia. Ninguém estava na minha pele naqueles cinco anos para saber o que eu sofri."
Leia mais
- Em júri, pacientes acusam Farah de abuso sexual
- Júri de ex-médico acusado de esquartejar mulher entra no segundo dia em SP
- Defesa de Farah exibirá "Atração Fatal" para sensibilizar júri
- Ninguém sabe o que eu sofri, diz à Justiça acusado de esquartejar mulher em SP
Especial

