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Cotidiano
16/04/2008 - 20h11

À polícia mãe de Isabella diz acreditar que pai e madrasta têm envolvimento na morte

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da Folha Online

Em depoimento à Polícia Civil, a mãe da menina Isabella, Ana Carolina Oliveira, disse acreditar que o pai e a madrasta da criança têm, "de alguma forma", envolvimento direto na morte da menina.

O relato mostra que a madrasta, Anna Carolina Jatobá, tinha um bom relacionamento com a menina, mas sentia ciúme da mãe. Reportagem de André Caramante publicada pela Folha mostra que a madrasta e o pai, Alexandre Nardoni, devem ser indiciados pela morte da criança, jogada do sexto andar de um prédio na zona norte de São Paulo. A polícia também deve pedir a prisão preventiva de ambos.

À polícia a mãe de Isabella disse ter sido avisada por Anna Jatobá sobre a queda da menina e que, por estar próximo ao prédio, chegou rapidamente ao edifício. Ela afirmou que a madrasta estava muito nervosa e falava palavrões.

Andre Vicente/Folha Imagem
Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que foi jogada do sexto andar de um prédio na zona norte de São Paulo
Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que foi jogada do sexto andar de um prédio na zona norte de São Paulo

A mãe também contou que, no velório da filha, recebeu um abraço inexpressivo de Anna Jatobá e ouviu a frase "você nem ligou para a menina no sábado".

Desde a morte da filha, Ana Carolina evita falar sobre os possíveis responsáveis pelo crime. No entanto, a desconfiança foi registrada em depoimento à Polícia Civil. "Na sua concepção, acredita que Alexandre [Nardoni] e Anna Carolina possam estar de alguma forma diretamente envolvidos no que aconteceu", diz um trecho do documento.

Ciúme

Ana Carolina Oliveira afirmou que Isabella não era agredida pelo pai. Ela também disse que nunca houve falta de pagamento da pensão alimentícia. Ela diz que, "aproximadamente em 2004", ingressou com uma ação contra Alexandre e que houve por ele uma contestação dos valores, mas que a situação foi regularizada.

A mãe de Isabella também relatou aos policiais brigas entre Nardoni e Anna Jatobá, causadas por ciúmes. "Era evidente que todas as brigas de Anna Carolina com Alexandre eram ciúmes exacerbados da declarante", diz um trecho do depoimento.

Ela afirmou que, em uma ocasião, um telefonema para a filha gerou uma briga entre Nardoni e Anna Jatobá. Durante a discussão, Anna Jatobá, que estaria com o filho no colo, teria jogado a criança sobre a cama e passado a agredir Nardoni. Depois, Isabella contou à mãe que pegou o irmão no colo porque ele chorava.

Em outra ocasião, Nardoni teria ficado irritado com o filho e erguido o menino a "certa altura". A criança, solta no ar, caiu no chão.

Sobre as visitas de Isabella ao pai, Ana Carolina disse que nunca percebeu irregularidades. Às vezes, no entanto, a criança apresentava marcas roxas no corpo, que, segundo a própria Isabella, eram provocadas por brigas com o irmãozinho.

Brigas

Também durante o depoimento, Ana Carolina contou aos policiais sobre uma briga ocorrida quando Isabella tinha um ano e quatro meses. Inconformado com o fato de a filha ter sido matriculada em uma escolinha, Nardoni ficou "transtornado" e foi à casa dos avós maternos da criança.

Segundo a mãe de Isabella, ele dizia estar armado e ameaçou matar a ex-sogra por acreditar que era dela a iniciativa de matricular a menina.

Em outra ocasião, houve um desentendimento quando, já acompanhado da atual mulher, Nardoni foi à casa da ex-sogra buscar Isabella para passar uma semana de férias no Guarujá.

Defesa

Nesta quarta, os advogados de Nardoni e de Anna Jatobá estiveram no 9º DP (Carandiru), que centraliza as investigações, para acompanhar os depoimentos de 2 dos 22 nomes indicados pela defesa à polícia.

Depois, os advogados afirmaram que os relatos comprovaram a fragilidade da segurança no edifício onde a criança morreu e reafirmaram que o casal é inocente.

"As duas testemunhas [ouvidas hoje] vieram comprovar a vulnerabilidade do edíficio London e a perda das chaves por Anna Carolina e Alexandre Nardoni. Vieram demonstrar que alguns de seus apartamentos ficavam abertos e expostos a qualquer pessoa que quisessem entrar", disse Ricardo Martins, um dos advogados do pai e da madrasta de Isabella.

Ele disse que não comentaria sobre o indiciamento porque ainda não foi oficialmente informado da decisão. Afirmou também que o casal está "totalmente à disposição da Justiça". Ambos devem ser novamente ouvidos pela Polícia Civil na sexta-feira (18), dia em que Isabella completaria seis anos.

Com Folha de S.Paulo

 

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