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Cotidiano
16/04/2008 - 21h54

Curiosos chutam portão da casa do pai de Nardoni e PM é acionada

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CAMILA NEUMANN
Colaboração para a Folha Online

Curiosos que se aglomeram na rua da casa do pai de Alexandre Nardoni, 29, no Tucuruvi (zona norte de São Paulo) chutaram o portão da garagem da residência e a família acionou novamente a Polícia Militar, que chegou a fechar a rua por alguns minutos na noite desta quarta-feira. Nardoni é pai de Isabella Nardoni, 5, que morreu no último dia 29 após ser arremessada da janela do apartamento onde o pai mora com a madrasta, Anna Carolina Jatobá, 24.

O casal voltou para a casa do pai de Nardoni por volta das 19h30 e foi recebido com gritos de "assassinos" pelas pessoas que se amontoam nas proximidades da casa.

Cristiane Nardoni, irmã do pai de Isabella, ao ouvir os gritos dos curiosos, saiu no portão e ameaçou: ""Não chama assassino [sic]. Eu vou chamar a polícia se vocês não pararem".

Camila Neumann/Folha Online
Bilhete jogado na garagem da casa do pai de Alexandre Nardoni; curiosos chamam pai e madrasta de Isabella de "assassinos"
Bilhete jogado na garagem da casa do pai de Alexandre Nardoni; curiosos chamam pai e madrasta de Isabella de "assassinos"

Nem diante da ameaça de Cristiane os curiosos pararam de xingar o casal e por volta das 20h a PM foi acionada novamente porque crianças começaram a chutar o portão da casa.

Os filhos da balconista Jaqueline dos Santos, 38, estavam entre as crianças que chutaram o portão da casa dos Nardoni. Saiu do bairro de Tremembé (zona norte), onde mora, para levar os cinco filhos para a frente da casa do pai do suspeito para "a hora de malhar o Judas".

"A gente tem que dizer ao vivo mesmo", disse a balconista sobre os xingamentos ao casal.

O desempregado Jorge Rodrigues dos Santos, 29, engrossava o coro dos curiosos e quando um carro se aproximou da casa, aparentemente transportando o casal, ele sacou sua câmera e fez fotos dos vidros do carro.

"Tudo leva a crer que são eles [Anna e Nardoni] mesmos os assassinos. Se eu pudesse jogava a câmera em cima deles", afirmou o desempregado.

O casal Ana Maria e Antonio Carlos Cubíssimo levou a filha de 9 anos para ver a movimentação em torno da casa dos Nardoni. "Vim para isso mesmo. Para falar "assassino'. "Se eu pudesse eu dava um "coro' nele", disse Ana Maria.

Para Cubíssimo, a possibilidade de uma terceira pessoa ter invadido o apartamento do pai e da madrasta de Isabella na noite da morte da menina sempre foi remota. "A gente acha um absurdo o que aconteceu, por isso estamos aqui. Quando ele falou que tinha alguém, uma terceira pessoa, a informação não se confirmou. Ninguém viu até hoje", afirmou.

Uma vizinha à casa da família, Iranês Vieira Fraga, 59, preferiu se pronunciar com moderação sobre o caso. "Ainda prefiro a última versão da polícia, a palavra final. Qualquer pessoa que é mãe como eu sabe a dor que a família está sentindo", disse a vizinha.

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