Júri de acusado de esquartejar mulher em SP deve terminar hoje
da Folha Online
O julgamento do ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah, acusado de esquartejar uma mulher em 2003 em São Paulo, deve terminar na noite desta quinta-feira, segundo expectativa do TJ (Tribunal de Justiça).
O júri começou terça-feira (15), no fórum de Santana (zona norte). No primeiro dia, Farah disse que era ameaçado pela vítima --a paciente Maria do Carmo Alves, 46, com quem teve um relacionamento amoroso-- e afirmou não lembrar do momento do crime.
"Aquela mulher me atacou e eu me defendi tanto quanto pude. De lá para cá eu não me lembro. Eu surtei", afirmou. "Ninguém estava na minha pele naquele dia. Ninguém estava na minha pele naqueles cinco anos para saber o que eu sofri."
Ontem, testemunhas ouvidas pela Justiça afirmaram ter sofrido abusos sexuais enquanto estavam sedadas devido a procedimentos cirúrgicos. Uma delas disse que, ao se recordar do abuso, não acreditou que fosse real. "Mas depois eu comecei a ouvir outras histórias iguais e fiquei assustada."
Os defensores de Farah ressaltam que os inquéritos por abuso abertos a pedido das mulheres foram todos arquivados. O promotor Alexandre Marcos Pereira confirma, mas diz que isso ocorre porque "é uma situação delicada". "Quando se tem a palavra do médico contra a do paciente, a do médico prevalece. E elas, como elas mesmas disseram, passam por mentirosas."
Já o ex-médico alegou, durante o julgamento, que não assediava suas pacientes e sim era assediado por suas clientes.
Crime
O crime ocorreu no consultório de Farah, em Santana (zona norte), em janeiro de 2003. Em novembro de 2006, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) cassou a licença para o exercício de medicina do cirurgião. Em maio de 2007, Farah conseguiu liberdade provisória.
À época do crime, a polícia informou que Farah usou um bisturi e pinças para dissecar o corpo de Alves e retirar a pele de parte do rosto, tórax e pontas dos dedos das mãos e pés. O processo teria levado dez horas.
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