Pai de Alexandre afirma que filho se entregaria se fosse culpado
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Antonio Nardoni, avô paterno da menina Isabella, jogada do 6º andar de um prédio na zona norte de São Paulo no último dia 29, afirmou nesta quinta-feira que se seu filho fosse culpado pela morte da garota "ele já teria assinado a confissão".
O pai da menina, Alexandre Nardoni, 29, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, 24, são considerados pela polícia os únicos suspeitos de jogar a criança da janela do apartamento do edifício London. "Com certeza ele já teria assinado a confissão. Eu o traria aqui", disse Antonio ao deixar o 9º Distrito Policial, no Carandiru (zona norte), que concentra as investigações.
O avô de Isabella esteve na delegacia acompanhando sua mulher, Maria Aparecida Alves Nardoni, que prestou depoimento hoje. A avó paterna da menina integraria a lista de 22 nomes apresentada pela defesa do pai e da madrasta de Isabella.
Maria Aparecida deixou a delegacia sem falar com a imprensa. À Folha Online, ela disse que não queria falar sobre o depoimento.
Os advogados da família Nardoni montaram um esquema na delegacia para despistar a imprensa. Enquanto o pai saía sozinho pela porta principal, o advogado Rogério Neres de Souza buscava o carro e Ricardo Martins acompanhava a mãe pela porta lateral.
Dia-a-dia
Antonio Nardoni afirmou que as conversas que mantêm com o filho dizem respeito a tudo que a família está passando e à morte da criança. Segundo o avô, desde que Isabella morreu, nenhum membro da família foi ao cemitério visitar o túmulo.
Hoje, a mãe de Alexandre e o filho mais novo dele fazem aniversário. Segundo Antonio, não haverá comemoração e a única coisa que a família vai fazer é comprar um triciclo para a criança, o que fazem sempre que alguém completa um ano.
"Não sei como aconteceu e não tenho a menor idéia, mas tenho absoluta certeza que outras pessoas alheias ao prédio poderiam entrar lá. Se eles forem presos novamente, vamos lutar para mostrar que são inocentes", afirmou Antonio.
O pai de Alexandre negou a informação dada em depoimento por Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, de que seu filho, em determinada ocasião, teria erguido um dos filhos a certa altura e soltado a criança no ar. Segundo Antonio, as manchas no corpo de Isabella eram resultado de beliscões feitos pelo irmão mais novo que, para ele, é uma coisa normal entre crianças.
"Brincar é uma coisa e jogar é outra. Nem sem querer [ele jogou a outra criança de um metro]. Alguém disse isso pra ela [Ana Carolina, a mãe da menina], mas ela não mora lá [na casa de Alexandre]", disse o Antonio sobre as afirmações da mãe da menina em seu depoimento.
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