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Cotidiano
17/04/2008 - 18h49

Vítima ligou 3.708 vezes em um mês para Farah, diz defesa

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GABRIELA MANZINI
da Folha Online

Os advogados de defesa do ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah, acusado de esquartejar uma mulher em 2003 em São Paulo, apresentaram relatórios de empresas de telefonia com ligações da vítima, Maria do Carmo Alves, 46, para o ex-médico. Somente no mês de março de 2002, ela ligou para Farah 3.708 vezes. A tese da defesa é de que o ex-médico agiu em legítima defesa.

De acordo com os relatórios, Maria do Carmo ligou 988 vezes em janeiro de 2002 e fez 1.352 ligações em fevereiro. Calhamaços com as ligações foram distribuídos para os jurados.

A freqüência de telefonemas, de acordo com as listas apresentadas pela defesa, era maior durante a semana. Aos finais de semana Maria do Carmo fazia entre duas e dez ligações para o ex-médico. Mas, durante a semana, os relatórios apontam que ela telefonava até 200 vezes.

Legítima defesa

Um dos advogados do ex-cirurgião, Roberto Podval, defendeu que seu cliente agiu em legítima defesa. Na visão do advogado, de acordo com o processo, é possível que a vítima tenha chegado ao consultório, repentinamente, armada com uma faca e ameaçado matar Farah.

Podval descreve que ali Farah desarmou a mulher e a golpeou com a mesma faca na região do pescoço. Ele afirma que peritos constataram que a mulher ainda estava viva quando recebeu sonífero. Farah a teria medicado, segundo o advogado, "porque ficou com pena da mulher, que agonizava".

"Se ele tivesse dado um tiro nessa mulher e chamado a polícia o julgamento seria outro", segundo Podval.

A acusação, entretanto, sustenta que foi a própria vítima quem tirou a roupa e deitou na mesa de cirurgia do ex-médico porque acreditava que passaria por uma lipoaspiração e, portanto, foi sedada e depois morta.

O advogado e o promotor Alexandre Marcos Pereira discordaram e discutiram sobre a roupa que a vítima usava na hora em que foi morta. Para o promotor, se ela foi esfaqueada durante uma briga com o ex-médico, as roupas encontradas no carro de Farah deveriam estar sujas de sangue --e os laudos indicam que não estavam.

Para Podval, não há comprovação de que a vítima usava as mesmas roupas que estavam no carro.

Sobre as denúncias de supostos abusos sexuais, contra Farah, sua outra defensora, a advogada Cristiane Battaglia afirmou tratar-se de "sugestionamento". Ela diz acreditar que as mulheres transformaram a vulnerabilidade sentida após uma sedação em suspeita.

"Eu tenho medo de depois desse julgamento ele [Farah] continuar sendo o médico/monstro daquele dia e não uma pessoa que viveu 54 anos até aquele dia", afirmou a advogada.

Crime

O crime ocorreu no consultório de Farah, em Santana (zona norte), em janeiro de 2003. Em novembro de 2006, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) cassou a licença para o exercício de medicina do cirurgião. Em maio de 2007, Farah conseguiu liberdade provisória.

À época do crime, a polícia informou que Farah usou um bisturi e pinças para dissecar o corpo de Alves e retirar a pele de parte do rosto, tórax e pontas dos dedos das mãos e pés. O processo teria levado dez horas.

 

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