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Cotidiano
17/04/2008 - 21h54

Farah recebe pena de 13 anos de prisão mas deixa tribunal em liberdade

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da Folha Online

O ex-cirurgião Farah Jorge Farah foi condenado nesta quinta-feira a 12 anos de prisão por assassinato e mais um ano por ocultação de cadáver. A sentença foi dada pelo juiz Rogério de Toledo Pierri, do 2º Tribunal do Júri do fórum de Santana. Ele foi considerado culpado pelos jurados por unanimidade, mas não sairá do tribunal preso. O ex-médico era acusado de matar e esquartejar a ex-namorada e paciente Maria do Carmo Alves, 46.

Farah conseguiu a liberdade provisória em 2007 com um habeas corpus do STF (Supremo Tribunal Federal). Por isso, para ser preso, o ex-cirurgião terá de aguardar o processo transitar em julgado --quando não há mais direito a recursos

Farah estava sob julgamento desde a terça-feira (15), no fórum de Santana (zona norte). No primeiro dia de júri, o ex-médico disse que era ameaçado pela vítima --a paciente Maria do Carmo Alves, 46, com quem teve um relacionamento amoroso-- e afirmou não lembrar do momento do crime. A tese usada pelos advogados de Farah foi de legítima defesa, que foi contestada pela Promotoria.

"Aquela mulher me atacou e eu me defendi tanto quanto pude. De lá para cá eu não me lembro. Eu surtei", afirmou. "Ninguém estava na minha pele naquele dia. Ninguém estava na minha pele naqueles cinco anos para saber o que eu sofri", disse o ex-cirurgião no primeiro dia de júri.

Nesta quinta-feira, os advogados de Farah reafirmaram a tese de legítima defesa, dizendo que a vítima chegou ao consultório do ex-cirurgião armada de uma faca e que ele desarmou a mulher e a golpeou com a mesma faca na região do pescoço.

"Se ele tivesse dado um tiro nessa mulher e chamado a polícia o julgamento seria outro", segundo Roberto Podval.

A defesa de Farah também apresentou hoje relatórios de companhias de telefonia que apontaram que Maria do Carmo ligou para o ex-médico 3.708 vezes no mês de março de 2002.

Ontem (16), testemunhas ouvidas pela Justiça afirmaram ter sofrido abusos sexuais enquanto estavam sedadas devido a procedimentos cirúrgicos. Uma delas disse que, ao se recordar do abuso, não acreditou que fosse real. "Mas depois eu comecei a ouvir outras histórias iguais e fiquei assustada."

Crime

O ex-médico foi julgado pelo assassinato da paciente e ex-namorada Maria do Carmo. O crime ocorreu no consultório de Farah, em Santana (zona norte). Em novembro de 2006, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) cassou a licença para o exercício de medicina do cirurgião. Em maio de 2007, Farah conseguiu liberdade provisória.

À época do crime, a polícia informou que Farah usou um bisturi e pinças para dissecar o corpo de Alves e retirar a pele de parte do rosto, tórax e pontas dos dedos das mãos e pés. O processo teria levado dez horas.

 

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