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Cotidiano
18/04/2008 - 15h07

Multidão na porta da delegacia do caso Isabella reúne moradores e personagens inusitados

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CLAYTON FREITAS
da Folha Online

Entre as cerca de 300 pessoas que se aglomeram em frente ao 9º DP (Carandiru), na zona norte de São Paulo, local onde o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Jatobá prestam depoimento nesta sexta-feira, há de moradores da região a pessoas vestidas como personagens inusitados, Bin Laden e Roberto Carlos.

Em vários momentos, eles gritam palavras de ordem como "justiça" e "assassino", muitos de cima dos muros das casas e na calçada --delimitada por um faixa colocada pela polícia na rua. Por volta das 11h50, pessoas que estão em frente à delegacia estenderam uma faixa escrita a mão com os dizeres "Isabella, parabéns pelo seus seis anos, que você esteja agora em paz. Que a justiça seja feita".

Logo depois de abrirem a faixa --de aproximadamente dois metros por um--, eles cantaram "Parabéns a Você". Isabella completaria seis anos de idade hoje.

Alguns minutos depois, o pai de Alexandre Nardoni, Antônio Nardoni, chegou ao local, e alguns curiosos gritaram "o seu filho é um assassino". Cerca de 50 homens das polícias Civil e Militar permanecem em frente e nas imediações da delegacia, na rua dos Camarés, para garantir a segurança.

Na manhã de hoje, o advogado do pai e da madrasta de Isabella afirmou que a família Nardoni "está sendo julgada com crueldade" "Não julguem para não serem julgados", disse.

Curiosos

O vendedor de refrigerantes e água Admilson Souza Lima, 40 anos, costuma vender os seus produtos nos cruzamentos de ruas da zona norte, no entanto após perceber a movimentação em frente à delegacia, foi para o local.

Por volta das 11h, ele já havia vendido todas as 40 unidades de refrigerantes e copos de água. Outro que aproveitou a movimentação de jornalistas e curiosos foi o vendedor de algodão-doce João Cardoso, de 46 anos. "Vim para vender, mas eu também quero que seja feita justiça".

O "Bin Laden", Flávio Leandro Rocha, 58, que também disse ser estilista, comediante e ator, afirmou que apesar do humor, quis mostrar "que a situação é difícil". "Se o cara é pobre e não tem advogado, duvido que ele já não estaria preso. Eu não quero culpar ninguém, mas a verdade tem que ser conhecida".

O comerciante Clayton Assad, 33, que mora na Mooca (zona leste) e trabalha no Brás, fez uma camiseta com a foto da Isabella e foi para o 9º DP. Ele diz que pegou a imagem na internet "só para prestar solidariedade". Assad afirma que se sentiu "tocado" pela morte da garota porque tem uma filha chamada Isabelle, que mora num edifício de cinco andares.

Depoimentos

Alexandre Nardoni já depõe há ao menos três horas e deve falar por mais três aos dois delegados responsáveis pelo caso, Calixto Calil Filho e Renata Pontes, e ao promotor Francisco Cembranelli. Os três advogados do casal --Rogério Neres, Marco Polo Levorin e Ricardo Martins acompanham a oitiva.

Em seguida deve depor Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella e mulher de Alexandre, que esteve acompanhada até as 15h de Antonio Nardoni em outra sala da delegacia. Há pouco, Antonio deixou a delegacia, provocando novos gritos de "justiça" e "assassino".

 

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