Madrasta de Isabella presta depoimento; pode haver acareação
da Folha Online
O casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá continua no 9º DP (Carandiru), na zona norte de São Paulo. Os dois sairão de lá indiciados pelo assassinato de Isabella Nardoni, que completaria seis anos nesta sexta-feira. O indiciamento oficializa as acusações da Polícia Civil sobre os dois.
Assista à entrevista com o delegado sobre o indiciamento
Nardoni prestou depoimento das 11h30 às 19h, aproximadamente, e Jatobá começou a falar por volta das 19h45. Há expectativas de que, durante a madrugada, haja acareação entre os dois suspeitos --o procedimento precisa ser feito enquanto eles permanecem isolados.
O indiciamento do casal foi confirmado no final da tarde desta sexta-feira pelo delegado Aldo Galiano Júnior, diretor do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital). Isabella, 5, passava o fim de semana com o pai e com a madrasta quando foi jogada do sexto andar do prédio em que o pai mora, no último dia 29 de março.
Reportagem de André Caramante, da Folha, publicada na Folha Online na última terça (15) revelou que, para a Polícia Civil e para o Ministério Público, Alexandre jogou a filha de seu apartamento após Anna Carolina ter tentado asfixiá-la.
| 03.abr.08/Folha Imagem |
![]() |
| Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, depõem no 9º DP, em São Paulo |
Galiano Júnior não detalhou a participação de Alexandre e de Anna Carolina no crime. "O caso está praticamente solucionado", afirmou. "Os dois serão indiciados por homicídio, artigo 121, e as qualificadoras serão discutidas com a autoridade policial que preside o inquérito. Peço compreensão quanto ao sigilo."
Galiano Júnior confirmou que a prisão preventiva do casal, supostamente o próximo passo a ser dado, não será pedida à Justiça ainda nesta sexta-feira. "Para se fazer uma preventiva, tem que se reunir uma documentação, não é assim. Ela precisa ir bem embasada, não é o momento. De forma alguma ela será pedida hoje."
Desde o início das investigações, o casal nega as acusações e diz que uma terceira pessoa, provavelmente um criminoso, foi o autor do assassinato.
Durante as horas em que esperou pelo marido, Anna Carolina permaneceu em uma sala com um sogro, Antonio Nardoni, e um investigador. Ela dormiu por algumas horas, comeu um pão e bebeu um achocolatado, mas recusou um pedaço de pizza. Ela também tinha à disposição bolachas salgadas e doces.
"Crueldade"
Alexandre e Anna Carolina foram levados ao 9º DP para prestar depoimento na manhã desta sexta, sob forte esquema de segurança e sob a presença maciça da imprensa e de curiosos que chamavam os dois de "assassinos".
| Reprodução |
![]() |
| Ana Carolina Cunha de Oliveira e a filha, Isabella, 5, que foi jogada do sexto andar de um prédio na zona norte de São Paulo |
O casal teve dificuldade para deixar a casa dos pais de Alexandre, também na zona norte. Eles tentaram deixar o imóvel por volta das 10h25. No entanto, devido à confusão, recuaram e aguardaram a chegada de policiais civis do GOE (Grupo de Operações Especiais). Policiais militares foram obrigados a montar um cordão de isolamento em frente ao imóvel.
Alexandre e Anna Carolina, que sairiam em carro particular, deixaram a casa protegidos por escudos da polícia e seguiram em direção à delegacia em um veículo do GOE, sob gritos de "assassinos". Em frente à delegacia, apesar do forte esquema de segurança montado, um grupo de manifestantes aguardava a chegada do casal, também recebido com gritos de "assassinos".
Pela manhã, um dos advogados da família disse que a família "está sendo julgada com crueldade". "Não julguem para não serem julgados", afirmou Ricardo Martins.
Ele considerou "humilhante" e "desesperador" o fato de a família Nardoni ter sido obrigada a contratar três seguranças para poder "dormir em paz"
Isabella
Nesta sexta, quando Isabella completaria seis anos, familiares visitaram o túmulo da menina, no cemitério Parque dos Pinheiros, também na região norte de São Paulo. Pela manhã, a mãe, Ana Carolina Cunha de Oliveira, esteve no local. À tarde, os avós e um tio foram ao cemitério. Além deles, anônimos prestaram homenagens à criança.
Uma cerimônia também foi realizada no Cantinho da Alegria, unidade onde a menina estudou. Crianças, acompanhadas dos pais, rezaram e cantaram músicas religiosas.
Leia mais
- Veja como foi a morte da menina Isabella
- Mãe visita túmulo de Isabella no dia que a filha completaria seis anos
- Meiga, Isabella faria 6 anos hoje
- Leia a íntegra do depoimento de Ana Carolina, a mãe de Isabella
- ÁUDIO: Advogado diz que faltam exames para esclarecimento do caso Isabella ]
- Para polícia, madrasta bateu em Isabella e pai jogou menina pela janela
- "Que a justiça seja feita agora", diz mãe de Isabella
- Ciúme marcava relação de pai e madrasta de Isabella
- Manifestantes exibem cartazes em frente à casa dos pais de Nardoni
- Curiosos chutam portão da casa do pai de Nardoni e PM é acionada
- Vizinho fala em depoimento que ouviu discussão antes da morte de Isabella
- Em depoimento, madrasta de Isabella admite desentendimentos com mãe da menina
Outro lado
- "Me condenam por algo que não fiz", diz pai de Isabella em carta à TV; leia íntegra
- "Eu não sou assassina", afirma madrasta de Isabella
- Ela chora e fala dos filhos, diz pai da madrasta de Isabella
- VÍDEO: Defesa de Nardoni culpa falta de segurança do prédio
- Mãe de Isabella "talvez tenha exagerado", diz pai de Nardoni sobre depoimento
- Advogado de pai e madrasta minimiza depoimento da mãe de Isabella
- Família diz estar certa de que casal é inocente no caso da morte de Isabella
Livraria
Especial



