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Cotidiano
19/04/2008 - 13h42

Polícia adia depoimentos de avô e tia de Isabella; pai e madrasta são indiciados

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da Folha Online

Os depoimentos de Antonio e Cristiane Nardoni, avô paterno e tia da menina Isabella foram adiados para a próxima terça-feira (22). Ambos seriam ouvidos na tarde deste sábado como parte das investigações sobre a morte da criança. Ontem (18), o pai e a madrasta foram ouvidos e indiciados pelo crime.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
Antônio Nardoni e a filha Cristiane, avô e tia paternos de Isabella, deveriam depor neste sábado; data foi remarcada
Antônio Nardoni e a filha Cristiane, avô e tia paternos de Isabella, deveriam depor neste sábado; data foi remarcada

A assessoria da Secretaria da Segurança informou que o adiamento é resultado de um acordo entre os policiais do 9º DP (Carandiru), que concentra as investigações, e a defesa da família Nardoni devido ao desgaste causado pelos depoimentos do pai e da madrasta de Isabella, Alexandre e Anna Carolina Jatobá. Ambos deixaram a delegacia por volta das 4h40 deste sábado, após aproximadamente 17 horas.

Também na próxima terça-feira (22), a Polícia Civil pretende apresentar o pedido de prisão preventiva de Alexandre e Anna Carolina.

Isabella, que passava o fim de semana com o pai e com a madrasta, foi jogada do sexto andar do prédio onde o casal morava, na zona norte de São Paulo. Reportagem de André Caramante, da Folha, publicada na Folha Online na última terça (15), revelou que que, para a Polícia Civil e para o Ministério Público, Alexandre jogou a filha de seu apartamento após Anna Carolina ter tentado asfixiá-la.

Assista à entrevista com o delegado sobre o indiciamento

Apu Gomes/Folha Imagem
Alexandre Nardoni, pai de Isabella, deixa delegacia em São Paulo após ser ouvido e indiciado pela morte da menina
Alexandre Nardoni, pai de Isabella, deixa delegacia em São Paulo após ser ouvido e indiciado pela morte da menina

Depoimentos

Alexandre e Anna Carolina ficaram aproximadamente 17 horas no 9º DP (Carandiru), entre a manhã de ontem e a madrugada de hoje. Eles foram ouvidos e indiciados sob a acusação de homicídio doloso (com intenção), com três agravantes: motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O casal nega envolvimento no crime.

Após deixar a delegacia, recusaram escolta policial e seguiram para Guarulhos (Grande São Paulo), onde moram os pais de Anna Carolina e onde estão os dois filhos do casal --de um e de três anos.

03.abr.08/Folha Imagem
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, foram indiciados pelo assassinato da menina
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, foram indiciados pelo assassinato da menina

Desde o início das investigações, o casal nega as acusações e diz que uma terceira pessoa invadiu o apartamento e matou Isabella.

Indiciamento

Com o indiciamento, o casal passa a ser formalmente considerado suspeito do crime. Após ser concluído, o inquérito será enviado para o Ministério Público. Caberá à Promotoria oferecer denúncia (acusar formalmente) contra o casal, e à Justiça decidir se abre ou não processo contra o pai e a madrasta de Isabella. Caso a denúncia seja aceita, a ação penal é iniciada --e Alexandre e Anna Jatobá passam a ser réus.

Após a conclusão do processo, os réus vão a julgamento. Em qualquer uma das fases do processo judicial, cabe recurso.

Tumulto

Alexandre e Anna Carolina foram levados à delegacia para prestar depoimento na manhã desta sexta, sob forte esquema de segurança e sob a presença maciça da imprensa e de curiosos que chamavam os dois de "assassinos".

Eles tiveram dificuldade para deixar a casa dos pais de Alexandre, também na zona norte. O casal, que sairia em carro particular, deixou a casa protegido por escudos da polícia e seguiu em direção ao DP em um veículo da Polícia Civil, sob gritos de "assassinos". Pedras foram jogadas. Em frente à delegacia, apesar do forte esquema de segurança montado, um grupo de manifestantes aguardava a chegada do casal, também recebido com gritos de "assassinos".

Veja imagens das manifestações que marcaram os depoimentos do casal

Também ontem, um dos advogados disse que a família "está sendo julgada com crueldade". "Não julguem para não serem julgados", afirmou Ricardo Martins.

 

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