Exames periciais remontam assassinato de Isabella, diz jornal
da Folha Online
Os exames feitos até o momento pela Polícia Técnico-Científica de São Paulo já permitem a reconstituição do assassinato de Isabella Nardoni, 5, ocorrido no último dia 29 de março, no prédio em que o pai dela mora, em São Paulo. Segundo dados do "Jornal Nacional", da Rede Globo, os exames apontam que o crime foi cometido pelo pai da menina, Alexandre Nardoni, e a mulher dele, Anna Carolina Jatobá, conforme suspeita a Polícia Civil.
Nenhum dos laudos foi oficialmente divulgado.
De acordo com o jornal, os exames indicam que a menina foi ferida na testa por um objeto pontiagudo e que sangrou dentro do carro do pai, um Ford Ka, a caminho da casa dele. Os exames apontariam que Isabella estava sentada no banco traseiro, entre os dois irmãos, e que o ferimento na testa manchou de sangue a lateral da cadeirinha em que o menino mais novo estava sentado e o encosto de cabeça.
Não foram encontradas marcas de sangue entre o carro e o apartamento de Nardoni mas, para os peritos, conforme o "Jornal Nacional", isso ocorreu porque a menina foi embrulhada em uma fralda. Dias após o crime, uma fralda foi encontrada mergulhada em água, na casa. Nesta fralda, posteriormente, foram achadas manchas de sangue.
Para os peritos, ainda de acordo com o "Jornal Nacional", as manchas de sangue de Isabella encontradas pela casa têm o movimento que teriam se a menina tivesse sido carregada pelo pai, a aproximadamente 1,25 metro do chão. Ela teria sangrado dentro do apartamento pois, ao chegar, a fralda teria sido retirada do ferimento.
Os exames indicam ainda que alguém segurou a boca de Isabella com força, provavelmente para que ela não gritasse, e que ela permaneceu imóvel ao lado do sofá, enquanto a tela de proteção do quarto dos irmãos dela era cortada.
Segundo as informações do "Jornal Nacional", em seguida, a pessoa que carregava Isabella --e que tem estatura compatível com a de Nardoni-- tentou subir em uma cama com ela nos braços, mas escorregou deixando uma marca de pegada --compatível com a do chinelo que Nardoni usava no dia do crime. Essa pessoa teria conseguido subir, em um novo impulso, pisado na cama seguinte e passado a menina pelo buraco na tela.
De acordo com a reportagem, pelos exames, é possível dizer que a pessoa passou os pés da menina; a manteve suspensa pelos pulsos, de frente; e soltou primeiro a mão esquerda dela. Na camiseta que Nardoni usava no momento do crime teriam sido encontradas marcas que correspondem com a suposta pressão do corpo dele contra a tela de proteção cortada.
Outros exames teriam atestado que as marcas encontradas no pescoço de Isabella --que indicam que ela foi esganada-- são compatíveis com as mãos da madrasta.
Indiciamento
Ontem, Nardoni e Jatobá prestaram depoimento à Polícia Civil durante aproximadamente 13 horas e deixaram do 9º DP (Carandiru) indiciados por homicídio triplamente qualificado --por motivo torpe, por meio cruel e por impossibilidade de defesa da vítima.
Os depoimentos foram cercados de tumulto. O casal teve dificuldades para deixar a casa do pai de Nardoni, Antônio Nardoni, e chegar à delegacia, devido à concentração de imprensa e curiosos. Os dois precisaram ir em um carro do GOE (Grupo de Operações Especiais). Na delegacia, houve esquema de segurança. Na casa dos Nardoni, há vigias particulares.
Outro lado
Desde o início das investigações, Nardoni e Jatobá negam as acusações e afirmam que uma terceira pessoa --provavelmente um ladrão ou um desafeto-- foi o autor do crime.
Na reportagem, um dos advogados responsáveis pela defesa do casal, Marco Polo Levorin, afirmou que não existe laudo comprovando o encontro de sangue no carro de Nardoni e que nenhuma das provas apresentadas ontem, durante os depoimentos dos dois, é "substancial". Ele afirmou ainda que a roupa de Nardoni pode ter adquirido a marca da tela de proteção quando ele se aproximou para visualizar o corpo da filha, no jardim.
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