Detentas bateram em Anna Carolina, diz avô de Isabella, família tem medo de sair de casa
MARINA NOVAES
Colaboração para a Folha Online
Indiciados pela Polícia Civil por homicídio doloso (com intenção) pela morte da menina Isabella, o casal Alexandre Nardoni, pai da menina, e Anna Carolina Jatobá, madrasta, "sentem muito medo de sair de casa", afirmou o pai do suspeito, Antonio Nardoni, em entrevista à Folha Online neste domingo. Segundo ele, enquanto o casal esteve preso, presas bateram em Anna Carolina.
Para a polícia, Isabella, 5, morreu após ser asfixiada pela madrasta e lançada do sexto andar pelo pai, no dia 29 de março. O casal nega e atribui a morte da menina a um assaltante ou desafeto, que teria invadido o apartamento onde moravam, na zona norte de São Paulo.
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| Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, foram indiciados pelo assassinato da menina |
De acordo com o avô da menina, o casal sente muito medo da reação das pessoas e de sair às ruas, especialmente Anna Carolina. Ele diz que a moça apanhou das companheiras de carceragem durante os dias em que ficou presa na 89º DP (Portal Morumbi).
"Ela sofreu muito enquanto estava presa. As outras detentas bateram nela e, por isso, tivemos o cuidado de tirar fotos das marcas, pois não sabemos até onde isso pode chegar", disse.
Antônio Nardoni afirma desconhecer o que motivou as presas a baterem em Anna Carolina, nem quantas detentas dividiam a cela com ela. A madrasta e o pai de Isabella cumpriram prisão temporária por nove dias e foram libertados no dia 11, por determinação da Justiça. Alexandre ficou na carceragem do 77º DP (Santa Cecília).
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, por meio da sua assessoria de imprensa, nega qualquer possibilidade de Anna Carolina ter apanhado na cadeia. De acordo com a assessoria, o relacionamento da madrasta com as outras detentas era "harmonioso". A secretaria informou ainda que o pai e a madrasta de Isabella passaram por exames de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal), antes e depois de sair da prisão, o que indicaria sinais de violência física, se houvesse.
Inicialmente, Anna Carolina ficou sozinha em uma cela. Depois, no entanto, foi colocada com outras presas, admitiu a Secretaria da Segurança. Não foi informado o período nem quantas mulheres ficaram com ela.
Medo
Não só o casal, mas toda a família mudou completamente a rotina desde que o crime ocorreu. "As pessoas misturam muito as coisas, acham que por você ser da família deve pagar junto com eles", afirmou Antônio Nardoni.
A tia de Isabella, Cristiane Nardoni --que deverá ser ouvida pela Polícia Civil também na próxima terça-feira (22)-- não vai à faculdade desde o crime. "Eu também sinto muito medo de sair. Ontem (sábado, 19), por exemplo, meu carro estava sendo seguido à noite", relatou à Folha Online.
Protestos
O caso da menina Isabella Nardoni tem provocado reações de revolta e indignação entre a população. Na última sexta (18), quando Isabella completaria 6 anos, centenas de pessoas foram em frente ao 9ª DP (Carandiru), onde o casal prestava depoimentos para protestar. Muitos gritavam palavras como "justiça" e "assassinos".
| Eduardo Knapp/Folha Imagem |
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| Antônio Nardoni e a filha Cristiane, avô e tia paternos de Isabella; família diz ter medo de sair de casa desde a morte da menina |
A administração do prédio onde moram os pais de Anna Carolina, em Guarulhos (região metropolitana) --onde o casal permanece desde que deixou a 9ª DP na sexta-feira-- vem retirando cartazes com frases como "a justiça será feita" e "eu já sabia". Em frente ao edifício, há ainda pichada a frase "Guarulhos não quer vocês aqui".
Para o avô de Isabella, que afirma acreditar totalmente na inocência do casal, só resta ter fé. "Estamos muito chateados com tudo isso, mas temos fé em Deus que vamos conseguir dar tudo certo", disse.
Segundo Antônio Nardoni, que é advogado, a defesa ainda não definiu o que será feito caso o pedido de prisão preventiva seja feito, mas diz não acreditar em um motivo para que os dois sejam presos, já que, de acordo com ele, Alexandre e Anna Carolina estão "colaborando desde o início com as investigações".
Na próxima terça-feira (22), o delegado Calixto Calil Filho deve pedir a prisão preventiva do casal.
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