Polícia aguarda depoimentos de avô e de tia de Isabella e prepara reconstituição
da Folha Online
A Polícia Civil espera ouvir terça-feira (22) Antonio e Cristiane Nardoni, avô paterno e tia da menina Isabella Nardoni, morta no dia 29 de março. Ambos deveriam ser ouvidos no último sábado, mas os depoimentos foram adiados.
Ontem, em entrevista ao "Fantástico", da Rede Globo, Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, pai e madrasta da menina negaram envolvimento na morte. Foi a primeira entrevista concedida pelos dois desde que foram apontados pela polícia como suspeitos do crime.
O casal foi indiciado na última sexta-feira (18) pela Polícia Civil sob a acusação de homicídio doloso (com intenção), com três agravantes: motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
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| Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, foram indiciados pelo assassinato da menina |
A expectativa é de que também amanhã o delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP (Carandiru, que concentra as investigações), peça a prisão preventiva do pai e da madrasta. O casal cumpriu nove dias de prisão temporária e foi liberado no último dia 11. À Folha Online, o pai e Nardoni afirmou que Anna Carolina sofreu muito enquanto estava presa e que a família tem medo de sair de casa.
"Ela sofreu muito enquanto estava presa. As outras detentas bateram nela e, por isso, tivemos o cuidado de tirar fotos das marcas, pois não sabemos até onde isso pode chegar", disse.
A reconstituição do crime deve ocorrer ainda nesta semana --possivelmente no próximo domingo. O objetivo é tentar esclarecer como a menina foi morta, além de contradições apontadas pela polícia nos depoimentos de Alexandre e Anna Carolina.
Indiciamento
O pai e a madrasta de Isabella foram ouvidos e indiciados pela polícia. O casal ficou aproximadamente 17 horas na delegacia, entre a manhã de sexta-feira e a madrugada de sábado --o desgaste levou a defesa a pedir o adiamento dos depoimentos do avô e da tia de Isabella. Os depoimentos foram marcados por tumulto e manifestações.
Veja imagens das manifestações que marcaram os depoimentos do casal
Com o indiciamento, o casal passa a ser formalmente considerado suspeito do crime. O inquérito, após ser concluído, será enviado para o Ministério Público. Caberá à Promotoria oferecer denúncia (acusar formalmente) contra o casal, e à Justiça decidir se abre ou não processo contra o pai e a madrasta de Isabella. Caso a denúncia seja aceita, tem início a ação penal --e Alexandre e Anna Jatobá passam a ser réus.
Em qualquer uma das fases do processo judicial, cabe recurso. Na Justiça, a produção de provas pode recomeçar. Após a conclusão do processo, os réus vão a julgamento.
Crueldade
Também na sexta-feira, um dos advogados disse que a família "está sendo julgada com crueldade". "Não julguem para não serem julgados", afirmou Ricardo Martins.
Desde o início das investigações, o casal nega as acusações e diz que uma terceira pessoa --um assaltante ou desafeto-- invadiu o apartamento e matou Isabella.
Com Folha de S.Paulo
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