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Cotidiano
21/04/2008 - 22h33

Avô e tia de Isabella prestam depoimento nesta terça

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da Folha Online

A Polícia Civil ouve na terça-feira (22) o depoimento de Antonio e Cristiane Nardoni, respectivamente avô paterno e tia da menina Isabella Nardoni,5, morta no dia 29 de março. Eles deveriam ter sido ouvidos no último sábado, mas os depoimentos foram adiados.

O casal foi indiciado na última sexta-feira (18) pela Polícia Civil sob a acusação de homicídio doloso (com intenção), com três agravantes: motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

Em entrevista ao "Fantástico", da Rede Globo, no domingo (20), Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, pai e madrasta da menina negaram envolvimento na morte.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o depoimento dos dois está marcado para acontecer às 16h30 de amanhã. Antes dos depoimentos, às 15h, integrantes da cúpula da Polícia Civil de São Paulo, do Instituto de Criminalística e policiais do 9º DP (Carandiru, que concentra as investigações), prestam uma entrevista à imprensa a respeito caso.

A expectativa é de que também amanhã o delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP, peça a prisão preventiva do pai e da madrasta. O casal cumpriu nove dias de prisão temporária e foi liberado no último dia 11. À Folha Online, o pai e Nardoni afirmou que Anna Carolina sofreu muito enquanto estava presa e que a família tem medo de sair de casa.

"Ela sofreu muito enquanto estava presa. As outras detentas bateram nela e, por isso, tivemos o cuidado de tirar fotos das marcas, pois não sabemos até onde isso pode chegar", disse.

A reconstituição do crime deve ocorrer ainda nesta semana --possivelmente no próximo domingo. O objetivo é tentar esclarecer como a menina foi morta, além de contradições apontadas pela polícia nos depoimentos de Alexandre e Anna Carolina.

Corregedoria e Promotoria

A defesa do casal informou hoje que entrarão com uma representação na Corregedoria da Polícia Civil contra o que consideram irregularidades na condução do inquérito.

Segundo os advogados Marco Polo Levorin, Rogério Neres de Souza e Ricardo Martins, o casal informou que Isabella foi jogada da janela por uma terceira pessoa --um assaltante ou desafeto.

Para Martins, o inquérito --conduzido pelo 9º Distrito Policial (Carandiru)-- tem uma série de irregularidades. Entre elas, a defesa do casal aponta o fato de, durante os depoimentos ocorridos na sexta-feira (18), ter sido feita a menção do laudo sobre a morte da garota. No entanto, diz Martins, o documento, ainda não foi concluído e não integra o inquérito.

Em entrevista ao "Jornal Nacional" desta segunda-feira, o promotor responsável pelo caso, Francisco Cembranelli, afirmou que as declarações não passam de estratégia da defesa do casal. Segundo Cembranelli, a investigação foi aberta e transparente e a qualidade da investigação é evidente. Ele afirmou que vai aguardar uma posição formal da defesa a respeito do assunto.

O "Jornal Nacional" desta segunda-feira também trouxe uma reportagem informando que os laudos dos exames realizados pelo IML (Instituto Médico Legal) apontam que Isabella teria morrido mesmo sem ter sido atirada pela janela do quarto.

Indiciamento

O pai e a madrasta de Isabella foram ouvidos e indiciados pela polícia. O casal ficou aproximadamente 17 horas na delegacia, entre a manhã de sexta-feira e a madrugada de sábado --o desgaste levou a defesa a pedir o adiamento dos depoimentos do avô e da tia de Isabella. Os depoimentos foram marcados por tumulto e manifestações.

Veja imagens das manifestações que marcaram os depoimentos do casal

Com o indiciamento, o casal passa a ser formalmente considerado suspeito do crime. O inquérito, após ser concluído, será enviado para o Ministério Público. Caberá à Promotoria oferecer denúncia (acusar formalmente) contra o casal, e à Justiça decidir se abre ou não processo contra o pai e a madrasta de Isabella. Caso a denúncia seja aceita, tem início a ação penal --e Alexandre e Anna Jatobá passam a ser réus.

Em qualquer uma das fases do processo judicial, cabe recurso. Na Justiça, a produção de provas pode recomeçar. Após a conclusão do processo, os réus vão a julgamento.

Crueldade

Também na sexta-feira, um dos advogados disse que a família "está sendo julgada com crueldade". "Não julguem para não serem julgados", afirmou Ricardo Martins.

Desde o início das investigações, o casal nega as acusações e diz que uma terceira pessoa --um assaltante ou desafeto-- invadiu o apartamento e matou Isabella.

Com Folha de S.Paulo

 

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