Polícia ouve avô e tia de Isabella; defesa aponta irregularidades no inquérito
da Folha Online
A Polícia Civil deve ouvir na tarde desta terça-feira Antonio e Cristiane Nardoni, avô paterno e tia da menina Isabella, 5, morta no último dia 29 de março em São Paulo. Também hoje devem ser divulgados laudos sobre o caso, e há expectativa de que a polícia peça a prisão preventiva do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina.
Ontem (22), a defesa do casal informou que entrará com uma representação na Corregedoria da Polícia Civil contra possíveis irregularidades na condução do inquérito que investiga a morte da criança, conduzido pelo 9º DP (Carandiru).
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| Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, foram indiciados pelo assassinato da menina |
Isabella foi asfixiada e jogada do sexto andar do apartamento do pai e da madrasta. Alexandre e Anna Carolina foram indiciados por homicídio doloso (com intenção) com três agravantes --motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
Um dos advogados do casal, Ricardo Martins, aponta como uma das irregularidades o fato de, durante os depoimentos ocorridos na sexta-feira (18), ter sido feita a menção do laudo sobre a morte da garota. No entanto, diz Martins, o documento, ainda não integrava o inquérito.
"Não poderia, de forma alguma, ser feita a menção de um laudo que a defesa sequer chegou a ter contato, muito menos a autoridade policial, porque não consta no inquérito. E, se não consta, é um laudo inexistente", disse o advogado à Folha Online.
Para o advogado, a Corregedoria deve investigar o fato de um pedreiro que trabalhava em uma obra aos fundos do edifício London relatar que o portão da casa em construção ter sido arrombado na noite do crime, conforme informou a Folha.
"Ele [pedreiro] deu depoimento para um jornalista da Folha dizendo que o local havia sido arrombado, que apesar de não terem levado nada, alguém entrou lá. Foi feita inclusive uma foto da pegada do teto da churrasqueira. Mas quando ele vai à delegacia prestar seu depoimento, ele muda totalmente sua versão. Nada mais viu, nada mais sabe. Isso é no mínimo estranho", disse o advogado.
Inquérito
A expectativa é de que o inquérito seja relatado nos próximos dias ao Ministério Público. Caberá à Promotoria oferecer denúncia (acusar formalmente) contra o casal, e à Justiça aceitar ou não.
Caso a denúncia seja aceita, um processo será aberto contra o casal. Após a conclusão, os réus vão a julgamento. Em qualquer uma das fases do processo judicial, cabe recurso.
Entrevista
No domingo (20), em entrevista ao "Fantástico", da Rede Globo, Alexandre e Anna Carolina negaram envolvimento na morte da menina. Foi a primeira entrevista concedida pelos dois desde que foram apontados pela polícia como suspeitos do crime.
Segundo o advogado, a entrevista foi concedida para mostrar ao público a "verdadeira face do casal".
Na sexta, quando foram levados ao 9º DP para depoimento, Alexandre e Anna Carolina foram hostilizados pela população. Uma multidão cercou a casa dos pais de Alexandre, na zona norte de São Paulo, e compareceu à rua da delegacia com cartazes para manifestar a indignação pela morte da menina.
"[A entrevista] foi para demonstrar as pessoas deles, a união, a harmonia da família. Não podemos julgar pessoas sem antes termos provas", disse Martins.
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