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Cotidiano
23/04/2008 - 23h15

Itacarambi (MG) ainda sofre conseqüências de terremoto de dezembro

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RENATA BAPTISTA
da Agência Folha

Moradores de Itacarambi --cidade mineira que registrou a primeira morte por terremoto no país, em dezembro passado-- ainda sofrem os efeitos da tragédia. O distrito de Caraíbas, o mais atingido pelo tremor, está abandonado.

As 76 famílias que tiveram suas casas destruídas no abalo ainda esperam a conclusão das novas moradias, que só devem ser entregues em maio, segundo a Cohab (Companhia de Habitação) de Minas Gerais.

Enquanto isso, vivem em casas alugadas, com amigos ou parentes. Um abrigo improvisado pela prefeitura em um parque de exposições da cidade é a morada provisória de 30 famílias, que se ajeitam em barracos de lona com telhas de amianto.

"Eles estavam em escolas e creches. Com o início das aulas, tivemos que transferi-los para o parque até que as casas fiquem prontas", disse o prefeito José Ferreira de Paula (DEM).

Para o vigilante Osias de Carvalho Santos, 46, o terremoto piorou sua vida. Ele, a mulher e quatro dos cinco filhos estão vivendo em um dos barracos montados no parque.

Recebendo apenas um salário mínimo, comprou somente um fogão para "mobiliar" a nova casa. "Só conseguimos salvar a geladeira."

Santos disse que a mudança para a sede do município não afastou a lembrança do medo que viveu no distrito de Caraíbas. "Do mesmo modo que aconteceu lá, pode acontecer aqui." Sensação agravada após a ocorrência, no mês passado, de um novo abalo no município, de quatro graus na escala Richter. Ninguém ficou ferido.

O governo mineiro destinou R$ 1,55 milhão para obras de implantação de um conjunto habitacional no centro da cidade para vítimas do terremoto. A prefeitura doou o terreno.

As casas estão sendo construídas em lotes de 360 metros quadrados cada, e custaram entre R$ 20 mil e R$ 25 mil.

 

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