Cotidiano
24/04/2008 - 12h31

PF prende advogado e executivo em operação contra prostituição e desvio de verba em SP

da Folha Online

Policiais federais realizam nesta quinta-feira uma operação para desarticular um grupo acusado de envolvimento com tráfico local e internacional de mulheres, exploração de atividade de prostituição e em fraudes em concessão de empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Nove pessoas haviam sido detidas até o começo da tarde. Entre elas estão o advogado Ricardo Tosto --um dos mais famosos de São Paulo-- e o executivo Boris Timoner.

De acordo com a PF (Polícia Federal), as investigações que resultaram na chamada Operação Santa Tereza começaram em dezembro de 2007 para apurar denúncias sobre tráfico de mulheres e exploração de prostituição. Em nota, a polícia informou que desde o início da apuração, os policiais constataram que alguns dos investigados mantêm uma casa de prostituição em São Paulo, com faturamento elevado.

"O prostíbulo somente se mantém em funcionamento porque seus proprietários oferecem, de forma contínua, vantagens ilícitas a autoridades e servidores públicos responsáveis pela fiscalização. Contra essa prática criminosa as investigações serão aprofundadas", informou a PF.

Para os trabalhos, a Justiça expediu 11 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. O objetivo é coletar provas e ouvir depoimentos. A PF ainda não detalhou o suposto envolvimento de cada um dos detidos na operação.

A Folha Online entrou em contato com o escritório do advogado e foi informada de que ainda buscam dados sobre a operação para se manifestar. A reportagem ainda não conseguiu contato com representantes dos outros presos.

Desvio de verbas

As investigações identificaram um esquema de desvio de verbas de financiamentos do BNDES.

Segundo os policiais, empresários, empreiteiros, advogados e servidores públicos conseguiam empréstimos do banco e desviavam parte dos valores em benefício próprio --aproximadamente 5% do valor. A PF afirma que "há vasto conteúdo probatório" que indica que ao menos dois financiamentos concedidos pelo BNDES neste ano são objeto de fraude --um no valor de R$ 130 milhões, concedido a uma prefeitura no Estado, e outro de cerca de R$ 220 milhões, concedido a uma empresa do ramo varejista.

A PF também afirma que, conforme as investigações, há evidências de fraudes em licitações em ao menos duas prefeituras paulistas.

 

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