Cotidiano
24/04/2008 - 13h54

Para defesa, acesso a laudos do caso Isabella reforça tese de inocência

da Folha Online

Os advogados de defesa do casal Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, suspeitos pela morte de Isabella Nardoni, 5, se reúnem nesta quinta-feira para analisar o conteúdo dos laudos do IML (Instituto Médico Legal) e do IC (Instituto de Criminalística) produzidos a respeito da morte da menina.

O inquérito que apura o crime deverá ser concluído até a próxima segunda-feira (28) e, depois, será remetido ao Ministério Público até terça-feira (29), segundo expectativa dos investigadores que atuam no caso.

Na quarta-feira (23), Antonio e Cristiane Nardoni, avô paterno e tia de Isabella, prestaram depoimento no 9º DP (Carandiru), que concentra as investigações. A chegada e saída da delegacia foram marcadas por tumulto. Eles negaram ter alterado a cena do crime. Além deles, outras duas pessoas, vizinhos do apartamento de Alexandre e Anna Carolina, também foram ouvidas na condição de testemunha.

23.abr.08/Folha Imagem
Chegada ao 9º DP, onde prestaram depoimento Antonio e Cristiane Nardoni --avô e tia de Isabella (foto)-- foi tumultuada ontem
Chegada ao 9º DP, onde prestaram depoimento Antonio e Cristiane Nardoni --avô e tia de Isabella (foto)-- foi tumultuada ontem

Os advogados tiveram acesso às cópias dos laudos na manhã de ontem, entretanto, como passaram a tarde e parte da noite acompanhando os depoimentos de Cristiane e de Antonio, e só saíram da delegacia por volta das 21h20, apenas nesta quinta-feira eles se reúnem para analisar detalhadamente os documentos.

Segundo um dos advogados de defesa, Rogério Neres de Sousa, que junto com Ricardo Martins e Marco Polo Levorin compõem o grupo que defende o casal, em uma análise preliminar é possível afirmar que as provas auxiliam a inocentar o casal, tese contrária a da Polícia Civil.

Para ele, dois pontos corroboram a tese da defesa. O primeiro, diz respeito ao sangue encontrado no banco traseiro do veículo do casal, e o segundo, ao documento anexado ao inquérito fornecido pela empresa de seguro e que monitorou a localização do veículo.

A versão dos responsáveis pelo inquérito é a de que o sangue encontrado no banco traseiro é de Isabella, o que pode comprovar que as agressões a garota podem ter começado antes dela ter entrado no apartamento.

"O laudo aponta sim que havia sangue no carro, entretanto, está claramente escrito que não é possível determinar se o sangue é de Isabella", afirma Sousa.

Para a polícia, a suspeita em relação ao aparelho que monitorou os movimentos do carro é a de que não haveria tempo hábil para que uma terceira pessoa entrasse no prédio. Isso porque o veículo foi desligado às 23h36, e o pedido de socorro ao Corpo de Bombeiros foi feito por um vizinho às 23h49'59. Portanto, houve um espaço de apenas 14 minutos entre a chegada da família e a queda da garota.

Para a defesa, entretanto, o fato de o horário em que o veículo teve o motor desligado e a queda da garota derruba a versão de alguns testemunhos, que dão conta de uma discussão entre os dois dez minutos antes da morte de Isabella.

"Reforça o que dissemos desde o começo de que essa briga não aconteceu", afirmou.

Das 64 pessoas que prestaram depoimento, apenas Alexandre e Anna Carolina foram indiciados e, portanto, são os únicos suspeitos até agora.

A Polícia Civil fará uma reconstituição da morte de Isabella no próximo domingo (27).

 

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