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Cotidiano
24/04/2008 - 19h01

Ação da PF contra prostituição e desvio de recurso prende 10 e apreende R$ 1 mi

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da Folha Online

Dez pessoas foram presas nesta quinta-feira em uma operação da Polícia Federal para desarticular um grupo acusado de envolvimento com tráfico de mulheres, prostituição e fraudes em concessão de financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Entre os presos está o advogado Ricardo Tosto --um dos mais famosos de São Paulo e que integra o conselho do BNDES-- e o executivo Boris Timoner. Para a PF, Tosto usava de sua influência política para conseguir a liberação de empréstimos junto ao banco.

No cumprimento dos mandados de busca e apreensão (18 foram expedidos ao todo), foram encontrados e apreendidos R$ 1 milhão em dinheiro e cheques. A maior parte do dinheiro (US$ 220 mil em) estava na casa do dono de uma construtora envolvida no esquema.

O esquema funcionava por meio da influência dos suspeitos --entre eles Tosto-- na aprovação dos financiamentos. Os lobistas se associavam às empresas e pediam o empréstimo apresentando um projeto ao banco. Quando o dinheiro saía, parte dele (entre 3% e 4% de cada parcela) era desviado para os envolvidos na fraude.

O uso da verba era justificado ao BNDES por meio de notas frias emitidas em nome de serviços de consultorias que, ainda de acordo com as investigações, nunca foram executados.

Prostituição

As investigações que resultaram na chamada Operação Santa Tereza começaram em dezembro de 2007, segundo a PF, para apurar a atuação de uma rede de prostituição e tráfico de mulheres.

Os policiais acabaram descobrindo que a casa era usada pela quadrilha para lavar parte do dinheiro que vinha das fraudes. A lavagem era possível porque no local --um prédio de 13 andares na rua Peixoto Gomide--, apesar de funcionar outro negócio ilícito, havia também um restaurante usado como fachada para a casa de prostituição.

'O prostíbulo somente se mantém em funcionamento porque seus proprietários oferecem, de forma contínua, vantagens ilícitas a autoridades e servidores públicos responsáveis pela fiscalização', informou a PF em nota. Entre os presos há um militar reformado que ajudava a manter o local aberto

Contratos

As investigações abrangem vários contratos firmados pelo BNDES, mas a PF diz que só conseguiu provas contundentes em dois casos: um financiamento de obras de uma prefeitura de São Paulo e outro de expansão de uma rede de lojas, ambos ainda vigentes. Nem o nome da prefeitura nem o da rede de lojas foi revelado.

O primeiro foi firmado no valor de R$ 130 milhões e parte do dinheiro --que deveria ter sido usado em obras como saneamento básico e reforma de calçadas-- ficou com os membros da quadrilha. Já a rede de lojas teria R$ 220 milhões para expandir o número de unidades. Nos dois casos, parte da verba era desviada a cada parcela liberada. A PF também não revelou o valor total dos desvios.

Outro lado

Por meio de nota, o escritório de Tosto, a Advocacia Leite, Tosto e Barros, repeliu as acusações contra um de seus sócios. A missiva chama a atuação da PF de 'truculenta', pois Tosto passou a integrar o conselho do BNDES depois de ocorrerem as supostas fraudes. Segundo o escritório, o advogado não conhece os beneficiários das operações ilegais apontadas pela PF.

De acordo com o escritório, a função de conselheiro do BNDES não é executiva, somente consultiva.

O BNDES informou que está à disposição da PF para colaborar com as investigações. Em nota, o banco afirma que aguarda o resultado da operação para poder providenciar a suspensão imediata dos financiamentos.

 

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