Cotidiano
24/04/2008 - 22h34

Aeronáutica nega pedido para fechar espaço áereo em reconstituição de morte de Isabella

da Folha Online

O espaço aéreo da região onde fica o edifício London, na Vila Isolina Mazzei (zona norte de São Paulo), de onde a menina Isabella Nardoni, 5, foi arremessada pela janela de um apartamento do sexto andar, não será fechado durante a realização da reconstituição do crime, marcada para começar às 9h de domingo (27).

No apartamento moram o pai da menina, Alexandre Nardoni, 29, a madrasta Anna Carolina Jatobá, 24, e dois irmãos de Isabella. O casal é o principal suspeito pela morte da garota, no último dia 29.

A Polícia Civil pediu que a Aeronáutica emitisse um Notam (Notice to Airmen, ou aviso aos navegantes, em português) informando que o tráfego aéreo na região seria restrito durante o horário de realização dos trabalhos da polícia no prédio.

No entanto, a Aeronáutica negou o pedido da polícia porque, segundo o Setor de Comunicação, a motivação apresentada no pedido da polícia não cabe em nenhuma das 28 situações previstas para a emissão de um Notam.

Segundo o órgão, técnicos avaliaram a solicitação da polícia antes de responder. Cabe agora à polícia entrar na Justiça para conseguir a proibição do tráfego aéreo na área onde a reconstituição acontecerá domingo.

Silêncio

Os peritos envolvidos na reconstituição consideram importante alguns momentos de silêncio no decorrer do trabalho. Isso porque o barulho poderá prejudicar a reconstituição dos fatos que culminaram com a morte da garota.

Os peritos devem esclarecer se uma eventual discussão poderia ter sido ouvida em outros andares do edifício London e em prédios vizinhos, por exemplo. Apesar da negativa do casal e dos advogados de defesa, testemunhas relataram uma discussão entre Alexandre e Anna Carolina antes da morte de Isabella.

Esquema

Um esquema de segurança será montado no domingo na rua Santa Leocádia, onde fica o edifício London, no domingo, para a realização da tentativa de recriar a cena do crime contra a menina Isabella.

O GOE (Grupo de Operações Especiais, da Polícia Civil) informou que rua será interditada no trecho entre a rua Mandaguari e a avenida General Ataliba Leonel. Apenas os moradores da rua terão acesso. Entretanto, prestadores de serviço, entregadores de alimentos e serviços de urgência serão liberados após averiguação.

Uma das faixas da via --que tem mão única-- será interditada. Na outra parte será montado um gradil para que a imprensa possa se instalar e, mais adiante, bolsões para que as pessoas interessadas em conferir o trabalho da perícia possam ficar.

Não será permitido avançar além do local. Policiais civis e militares circularão pela área para evitar tumultos.

Trânsito

O esquema a ser montado para a reconstituição prevê a proibição de estacionamento em frente à entrada e à saída de garagens dos prédios, permitindo a circulação dos moradores.

Barreiras serão montadas entre a avenida General Ataliba Leonel e a rua Mandaguari. Com isso, os desvios devem ser feitos pela rua Salvador Romeu ou rua Quedas.

O controle do acesso à região será feito já na madrugada, para proibir a presença de ambulantes e de outras pessoas que não estejam relacionadas à reconstituição --além dos peritos, polícia-- e da cobertura por parte da imprensa.

Reconstituição

A tendência é que a reconstituição do crime se limite ao prédio. Momentos anteriores da chegada do casal --entre eles compras em um hipermercado-- e a visita do casal à casa dos pais de Anna Carolina, em Guarulhos (Grande São Paulo), não devem ser refeitos.

Independentemente do acompanhamento da Polícia Civil, o casal irá refazer o trajeto percorrido desde a chegada ao estacionamento do prédio até o apartamento. O Ford Ka utilizado pelo casal --e desde a morte da garota lacrado no edifício-- poderá ser utilizado.

Para simular a presença dos filhos do casal, poderão ser utilizados bonecos, assim como foi feito pela Polícia Técnico-Científica para simular a morte de Isabella durante o recolhimento de materiais que resultaram nos laudos.

A reconstituição ocupará espaços como o estacionamento --local onde o casal parou o carro--, elevador do edifício, apartamento e jardim, próximo ao portão. Os cerca de 20 minutos entre a chegada do casal no prédio e a chegada do carro de resgate do Corpo de Bombeiros e de policiais militares ao local têm previsão de demorar até dez horas consecutivas.

Todos os passos serão cronometrados e a Polícia Civil seguirá a ordem dos fatos conforme foi revelado nas investigações.

 

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