Polícia recorre à Justiça para tentar fechar espaço aéreo para reconstituição
da Folha Online
A Secretaria de Segurança Pública informou que o delegado Calixto Calil Filho, do 9º DP (Carandiru), responsável pela investigação da morte de Isabella Nardoni, 5, apresentou nesta sexta-feira à Justiça uma representação contra a Aeronáutica pelo fato de ter sido negado o pedido de fechamento temporário do espaço aéreo próximo ao edifício London para a reconstituição do crime. Os trabalhos ocorrem a partir das 9h do próximo domingo (27).
A Polícia Civil não detalhou o teor do pedido. Procurada, a Aeronáutica informou não ter sido comunicada oficialmente.
O TJ (Tribunal de Justiça) confirmou o recebimento pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana, o mesmo que decretou no começo do mês a prisão temporária --por 30 dias-- do casal Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, respectivamente pai e madrasta de Isabella e suspeitos da morte da garota.
Na quarta-feira (23), a Aeronáutica negou o pedido de fechamento temporário do espaço aéreo. A representação deverá ser analisada ainda hoje por Fossen. Caso não seja sua atribuição --se acatado, trata-se de uma eventual demanda de um tribunal estadual contra um órgão federal--, ele enviará o documento para as instituições competentes, segundo o TJ.
Mesmo que a Aeronáutica reafirme a negativa, a Polícia Civil insistirá para que helicópteros e aeronaves, principalmente aquelas prestadoras de serviços aos órgãos de imprensa, não sobrevoem o local durante a reconstituição.
Os veículos de transmissão ao vivo das emissoras de TV e os geradores de energia elétrica terão de ficar num prédio distante do bolsão reservado à imprensa, no pátio de uma área da Polícia Militar vizinha ao edifício London.
Silêncio
Os peritos envolvidos consideram importante alguns momentos de silêncio no decorrer do trabalho. Isso porque o barulho poderá prejudicar a reconstituição dos fatos que culminaram com a morte da garota.
Os peritos devem esclarecer se uma eventual discussão poderia ter sido ouvida em outros andares do edifício London e em prédios vizinhos, por exemplo. Apesar da negativa do casal e dos advogados de defesa, testemunhas relataram uma ferrenha discussão entre Alexandre e Anna Carolina antes da morte de Isabella.
Perícia
Apenas o edifício London e parte de um prédio vizinho serão utilizados na reconstituição. Fatos anteriores da chegada do casal ao estacionamento do edifício --entre eles compras em um hipermercado-- e a visita do casal à casa dos pais de Anna Carolina, em Guarulhos (Grande São Paulo), não serão refeitos.
O casal entrará direto no estacionamento do edifício. A disposição planejada pela Polícia Civil impede, por exemplo, a aproximação da imprensa ao carro onde eles estarão. O Ford Ka do casal poderá ser utilizado.
Após a saída do estacionamento, será utilizado um dos elevadores que levam ao sexto andar, onde está localizado o apartamento. Serão gravadas imagens da saída do elevador até a porta do apartamento, sala e quarto, principais cenas do crime. De lá, o elevador é novamente utilizado até o acesso ao jardim do prédio parte da rua defronte ao edifício.
Dependendo do resultado e da dinâmica dos fatos --o casal poderá apresentar sua versão do que ocorreu, assim como a Polícia Civil apresentará a sua-- o trajeto poderá ser refeito diversas vezes.
Para simular a presença dos filhos do casal, poderão ser utilizados bonecos, assim como foi feito pela Polícia Técnico-Científica para simular a morte de Isabella durante o recolhimento de materiais que resultaram nos laudos.
Em determinados momentos nem mesmo os delegados responsáveis pelo caso estarão presentes devido ao exíguo espaço de alguns locais. A prioridade é para os peritos e equipamentos que eles utilizarão.
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