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Cotidiano
25/04/2008 - 18h12

Justiça determina bloqueio de espaço aéreo para reconstituição do caso Isabella

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da Folha Online

Texto alterado às 19h20

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio do espaço aéreo próximo ao edifício London, na zona norte de São Paulo, local onde será feita, no próximo domingo (27), a reconstituição da morte da garota Isabella Nardoni, 5, ocorrida no dia 29 de março.

Segundo o Tribunal de Justiça, o tráfego de helicópteros ficará restrito num raio de 1,5 Km em torno do prédio onde ocorreu o crime, das 8h às 22h, do próximo domingo.

Os trabalhos estão previstos para ocorrer a partir das 9h de domingo. A Polícia Civil havia pedido à Aeronáutica o fechamento do espaço aéreo, que foi negado. Ante a isso, o pedido foi feito ao 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana (zona norte). A Aeronáutica informou não ter sido comunicada a respeito até as 18h30 de hoje.

Em seu despacho, o juiz Maurício Fossen escreve que o objetivo é "facilitar as investigações policiais que precisam ser concluídas".

Caso a Aeronáutica mantenha a decisão de não fechar o espaço aéreo, a Polícia Civil insistirá para que helicópteros e aeronaves, principalmente aquelas prestadoras de serviços aos órgãos de imprensa, não sobrevoem a região durante a reconstituição.

Os peritos envolvidos consideram importante alguns momentos de silêncio no decorrer do trabalho. Isso porque o barulho poderá prejudicar a reconstituição dos fatos que culminaram com a morte da garota, asfixiada e jogada do sexto andar do prédio enquanto passava o fim de semana com o pai, Alexandre Nardoni, 29, e a madrasta, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, --indiciados pela polícia por homicídio doloso (com intenção) com três agravantes --motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O casal nega envolvimento no crime.

Os peritos devem esclarecer se uma eventual discussão poderia ter sido ouvida em outros andares do edifício London e em prédios vizinhos, por exemplo. Apesar da negativa do casal e dos advogados de defesa, testemunhas relataram uma ferrenha discussão entre Alexandre e Anna Carolina antes da morte de Isabella.

Os veículos de transmissão ao vivo das emissoras de TV e os geradores de energia elétrica terão de ficar num prédio distante do bolsão reservado à imprensa, no pátio de uma área da Polícia Militar vizinha ao edifício London.

Perícia

Além do edifício London, parte de um prédio vizinho será utilizado na reconstituição. Fatos anteriores da chegada do casal ao estacionamento do edifício --entre eles compras em um hipermercado-- e a visita do casal à casa dos pais de Anna Carolina, em Guarulhos (Grande São Paulo), não serão refeitos.

O casal entrará direto no estacionamento do prédio. A disposição planejada pela Polícia Civil impede, por exemplo, a aproximação da imprensa ao carro onde eles estarão. O Ford Ka do casal poderá ser utilizado.

Após a saída do estacionamento, será utilizado um dos elevadores que levam ao sexto andar, onde está localizado o apartamento. Serão gravadas imagens da saída do elevador até a porta do apartamento, sala e quarto, principais cenas do crime. De lá, o elevador é novamente utilizado até o acesso ao jardim do prédio parte da rua defronte ao edifício.

Dependendo do resultado e da dinâmica dos fatos --o casal poderá apresentar sua versão do que ocorreu, assim como a Polícia Civil apresentará a sua-- o trajeto poderá ser refeito diversas vezes.

Para simular a presença dos filhos do casal, poderão ser utilizados bonecos, assim como foi feito pela Polícia Técnico-Científica para simular a morte de Isabella durante o recolhimento de materiais que resultaram nos laudos.

Em determinados momentos nem mesmo os delegados responsáveis pelo caso estarão presentes devido ao exíguo espaço de alguns locais. A prioridade é para os peritos e equipamentos que eles utilizarão.

Arte/Folha
 

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