Sem suspeitos, polícia simula morte de Isabella na manhã de hoje
da Folha Online
A Polícia Civil de São Paulo realiza neste domingo a reconstituição da morte da menina Isabella Nardoni, 5, morta no último dia 29 ao ser jogada do apartamento de seu pai, no sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo. Os principais suspeitos do caso --Alexandre Nardoni, pai da menina, e Anna Carolina Jatobá, a madrasta--, não devem comparecer, diminuindo a duração dos trabalhos pela metade.
A movimentação em frente ao edifício começou cedo ontem. Duas barreiras de policiais foram montadas no início e no fim da rua Santa Leocádia, onde fica o prédio, para impedir a aproximação de curiosos e manifestantes. Apenas moradores e prestadores de serviço e a imprensa --que fica em uma área cercada em frente ao edifício-- podem se aproximar do prédio.
O esquema foi montado pelo GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil, que tem cerca de 80 homens com armamento pesado ocupando a rua e o pátio do edifício. Cerca de 50 policiais militares também estão na região.
A previsão inicial é de que apenas a versão extraída dos laudos deve ser encenada, mas a hipótese de reconstituição da versão do casal não está descartada. O trabalho dos peritos e da polícia deve durar ao menos cinco horas --se apenas uma das versões for encenada. Peritos do IML (Instituto Médico Legal), do IC (Instituto de Criminalística) e os delegados do 9 DP (Carandiru), que concentra as investigações, participarão da reconstituição.
Segundo a polícia, as agressões à menina começaram no carro. A madrasta a asfixiou e o pai a soltou da janela, depois de segurá-la pelos pulsos do lado de fora da janela do sexto andar. Já o casal diz que alguém invadiu o apartamento e jogou a menina pela janela.
Barulho
Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), quatro moradores do residencial London vão reconstituir o que viram e ouviram no dia que Isabella foi arremessada e dublês com as mesmas características de Alexandre e Anna Carolina devem representá-los. A polícia deve tentar também reproduzir os gritos e as brigas que as testemunhas dizem ter ouvido, fazendo medições sonoras a partir de outros prédios.
Na sexta-feira, a Aeronáutica anunciou a interdição do espaço aéreo na região, depois de determinação da Justiça, para que o barulho das aeronaves não prejudique os trabalhos da esquipe.
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