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Cotidiano
27/04/2008 - 14h32

Reconstituição da morte de Isabella atrai poucos curiosos; movimento decepciona sorveteiro

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da Folha Online

A ausência do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá na reconstituição da morte da menina Isabella, 5, afastou os curiosos da rua Santa Leocádia onde fica o prédio em que o crime ocorreu. Na esquina com a rua Ataliba Leonel, onde a Polícia Civil montou um bloqueio, apenas três cartazes pediam justiça na tarde de hoje. Os gritos dos manifestantes só ocorriam quando as câmeras de TV se aproximavam.

A Polícia Civil realiza neste domingo a reconstituição da morte de Isabella, morta no último dia 29 ao ser jogada do apartamento de seu pai, no sexto andar do edifício London, na zona norte de São Paulo. A rua foi interditada por volta da meia-noite deste sábado para a realização da simulação.

A estudante Renata Nogueira, 16, que estudou no mesmo colégio de Ana Carolina de Oliveira (mãe de Isabella), chegou às 8h da manhã com um cartaz e enfrentou, de preto o sol, até o meio-dia. "É importante pedir justiça, fazer essa homenagem. Não estou com calor, o bom é que o sol até dá uma queimadinha", disse.

Além dela, cerca de 40 pessoas se concentravam no local. Ao menos 20 eram funcionários do empresário Renato Tadeu Geraldes, 55, fundador da organização católica Exército de Santo Expedito. "Viemos trazer uma mensagem de paz para as pessoas que vieram pedir justiça", afirmou. Um dos funcionários dele era um fotógrafo que documentava todas as vezes que Geraldes falava com a imprensa. A quem passava pela avenida, o exército distribuía a revista da organização, produzida pela gráfica do empresário.

Viagem longa

De Ponte Nova (MG), a cerca de 750 quilômetros de São Paulo, veio o publicitário André Luiz dos Santos, 47, que passou toda a manhã amarrado a uma cruz de 25 quilos e com uma mordaça. Ele carregava um cartaz que dizia: "Fui assassinada pelo amor do meu pai e pelo meu pai, Izabella", com "z", apesar de que o nome da menina se escreve com "s". "Se continuarem matando nossas crianças, vamos virar um país de velhos, como a Itália e a França", disse.

O sorveteiro João Fernando neves, 60, ficou decepcionado com o pequeno movimento na rua Santa Leocádia. "Vim para ver e para vender, mas o movimento está muito fraco", afirmou. Antes do meio-dia, ele foi embora para outro local procurando maior movimento.

 

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