Morador do 1º andar participa de reconstituição da morte de Isabella
da Folha Online
Um morador do primeiro andar do edifício London (zona norte de São Paulo) participa da reconstituição da morte da menina Isabella Nardoni, 5, morta no último dia 29 ao ser jogada do apartamento de seu pai. O morador telefonou para o resgate para pedir socorro para Isabella na noite do crime.
Da janela do seu apartamento, o morador orienta os peritos sobre a visão que teve do corpo de Isabella --que caiu no jardim do prédio após ser jogada pela janela.
Ao todo, quatro moradores e o porteiro do prédio devem participar da reconstituição. Na primeira parte da simulação, a polícia simulou a queda de Isabella.
Um homem --com peso e tamanho compatíveis com o de Alexandre Nardoni, pai de Isabella-- passou uma boneca pela tela de proteção do quarto dos irmãos da menina. Em seguida, ele soltou a boneca --que não caiu porque estava presa a cordas. A simulação chocou os jornalistas que acompanham a reconstituição.
Para fazer a cena, o homem primeiro passou as pernas da boneca, depois o corpo e, em seguida, soltou primeiro a mão esquerda e depois a direita. A boneca teria peso e tamanhos iguais ao de Isabella.
A tela de proteção usada na reconstituição não é a original, que foi retirada para análise. Para fazer a simulação, a perícia usou a tela que estava no quarto de Isabella e colocou no quarto dos irmãos --de onde o corpo foi jogado.
Após jogar a boneca, os peritos fizeram marcas na parede externa do prédio --que representariam o rastro deixado pelo corpo antes de chegar ao chão.
De acordo com informações de policiais, a boneca não foi jogada pela janela devido ao alto custo --ela custou R$ 2.500, de acordo com a Secretaria da Segurança.
Perícia
Os principais suspeitos do caso --Alexandre Nardoni, pai da menina, e Anna Carolina Jatobá, a madrasta--, não devem comparecer à reconstituição, diminuindo a duração dos trabalhos para pela metade --a previsão inicial era que a simulação durasse até dez horas.
Segundo a polícia, as agressões à menina começaram no carro. A madrasta a asfixiou e o pai a soltou da janela, depois de segurá-la pelos pulsos do lado de fora da janela do sexto andar. Já o casal diz que alguém invadiu o apartamento e jogou a menina pela janela.
Silêncio
Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), quatro moradores do residencial London vão reconstituir o que viram e ouviram no dia que Isabella foi arremessada e dublês com as mesmas características de Alexandre e Anna Carolina devem representá-los. A polícia deve tentar também reproduzir os gritos e as brigas que as testemunhas dizem ter ouvido, fazendo medições sonoras a partir de outros prédios.
Na sexta-feira, a Aeronáutica anunciou a interdição do espaço aéreo na região, depois de determinação da Justiça, para que o barulho das aeronaves não prejudique os trabalhos da equipe.
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