Cotidiano
29/04/2008 - 16h14

Reforma da Liberdade começa atrasada e sem dinheiro

GABRIELA MANZINI
da Folha Online

Deve começar em duas semanas a revitalização da Liberdade, bairro do centro de São Paulo conhecido como epicentro das comunidades orientais na cidade. Os trabalhos deviam ter sido iniciados em janeiro, mas atrasaram devido à burocracia da prefeitura em liberar a instalação de anúncios dos patrocinadores, por causa da Lei Cidade Limpa.

Segundo o arquiteto responsável pelo projeto, Márcio Lupion, o custo total está orçado em R$ 55 milhões e, por enquanto, apenas R$ 5,5 milhões estão garantidos --esse montante foi pago pelo banco Bradesco, que terá a fachada de uma agência situada diante da estação do metrô transformada em réplica de um palácio da cidade de Osaka (Japão). Em troca, o banco terá o direito de instalar um número limitado de placas --de tamanho também limitado-- na região.

Com o dinheiro desse primeiro investidor, Lupion e equipe pretendem realizar a primeira fase da obra, que consiste na troca de todo o piso da praça da Liberdade; mudança da fachada da agência bancária; instalação de um tori na entrada da praça; criação de jardins japoneses; e remodelagem da feirinha feita nos finais de semana e da cabine da PM instalada no local.

Há outras nove fases, todas à espera de patrocínio.

Os recursos para a reforma, de acordo com Lupion, são captados por meio de uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e auditados pelo governo federal.

Imigração

Inicialmente, a primeira fase da obra estava prevista para começar em janeiro e acabar seis meses depois. Com o atraso, não se sabe se ela ficará pronta para o próximo mês de junho, quando as comemorações pelo centenário da imigração japonesa no Brasil atingem o ápice, com a presença do príncipe herdeiro Naruhito em São Paulo, entre outras cidades.

O prazo previsto para conclusão do projeto é de um ano e meio, de acordo com Lupion.

O projeto todo prevê a reforma das fachadas de cem imóveis, no total; a criação de um novo sistema de iluminação, com visuais configurações para dias úteis, finais de semana e "dias de festa"; a remodelagem das barraquinhas da feirinha do bairro; e a entrega de uniformes feitos pelo estilista Jum Nakao para os trabalhadores da feirinha.

Ex-monge

Outro destaque do projeto é a instalação de uma imagem de Buda de seis metros de altura na rua da Glória. O arquiteto, que foi monge budista, fez o projeto ao lado de 25 voluntários. "Me perguntam porque estou fazendo isso e eu respondo que a função de um monge é lavar a rua, pintar parede e cuidar da felicidade das pessoas." E lembra: em 2009, a obra continua atual porque a parceria entre São Paulo e Osaka, que são cidades-irmãs, completa 50 anos.

 

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