Roubos crescem em São Paulo mesmo com desemprego em queda
da Folha Online
O número de roubos ocorridos no primeiro trimestre deste ano no Estado de São Paulo subiu em relação ao registrado no primeiro trimestre de 2007, conforme a estatística da Secretaria Estadual da Segurança Pública. Esse aumento foi considerado "anômalo" pelo sociólogo Túlio Kahn, 42, coordenador de Análise e Planejamento da pasta.
"O roubo tende a variar com a conjuntura econômica, com as taxas de desemprego. E, apesar de estar havendo uma melhora na economia, com reduções recordes na taxa de desemprego, mesmo assim a gente teve um crescimento --pequeno, mas um crescimento-- de 4%. Nossa expectativa era de queda."
Nesta terça-feira, a Fundação Seade e o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) informaram que a taxa de desemprego registrada em São Paulo em março foi a menor desde 1996, para este mês.
De acordo com Kahn, o descolamento entre a variação do número de roubos e as taxas de desemprego é uma "coisa que a secretaria vai priorizar". "Não faz sentido para a gente."
O pesquisador afirma que houve aumento "além dos proporcionais" nos números de roubos, na capital, nas delegacias seccionais 7 (Itaquera) e 8 (São Mateus), na zona leste; na Grande São Paulo, nas cidades de Osasco e Taboão da Serra; e no interior, na Deinter 4 e na Deinter 5, regiões das cidades de Bauru e de São José do Rio Preto, respectivamente.
Homicídios
Kahn destaca ainda que o número de homicídios em São Paulo continua em queda e que, no final deste ano, o Estado deve chegar a ter menos de dez casos a cada 100 mil habitantes, o que é o nível recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
O pesquisador atribuiu a queda nos homicídios ao aumento do número de detentos, às novas ferramentas usadas pela polícia; e ao desarmamento.
"Diversos indicadores de violência interpessoal, como lesões corporais, calúnias, injúrias e difamações, estão estáveis. Então, os níveis de violência na sociedade não foram diminuídos. O que foi diminuído é a letalidade, ou seja, as brigas não terminam mais em mortes, como terminavam antes, em função do número de armas de fogo em circulação."
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