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Cotidiano
30/04/2008 - 19h09

Defesa de pai e madrasta de Isabella diz que laudos não sustentam acusações

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CLAYTON FREITAS
da Folha Online

Os advogados de defesa de Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni afirmaram nesta quarta-feira que não há justificativas para que seja decretada a prisão preventiva do casal. Os dois são os únicos suspeitos da morte da menina Isabella protocolado, filha de Alexadre, assassinada ao ser jogada do sexto andar do prédio do pai, em 29 de março.

Marco Polo Levorin disse que a defesa não solicitou nem vai solicitar habeas corpus preventivo contra uma eventual prisão temporária do casal, pois avalia que a situação dos dois é a mesma de quando eles conseguiram conseguiram liberdade após a prisão temporária. O casal teve a prisão de 30 dias decretada no começo do mês, mas saiu uma semana depois após habeas corpus.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
O advogado de defesa do casal Alexadre Nardoni e Anna Carolina Jatobá critica Polícia Civil por erros na investigação
O advogado de defesa do casal Alexadre Nardoni e Anna Carolina Jatobá critica Polícia Civil por erros na investigação

"Não há requisitos autorizadores para decretar a prisão preventiva. A defesa não acredita na decretação", disse Levorin.

Erros da polícia

Os advogados listaram uma série de atos que eles consideram irregularidades da investigação realizada pela Polícia Civil, cujo inquérito foi entregue hoje ao Ministério Público. Eles voltaram a afirmar que as investigações se concentraram apenas na linha que considera o casal culpado e não consideraram a vulnerabilidade do edifício London

A defesa aponta ainda que os dois foram submetidos a interrogatórios demasiadamente longos, no qual, segundo ele, foram utilizadas informações dos laudos periciais que ainda não haviam sido anexadas ao inquérito. Outro ponto que eles rebateram foi uma suposta afirmação da irmã de Alexandre, Cristiane, que poderia comprometer o irmão.

Os advogados dizem que o sangue encontrado no carro do pai de Isabella e no sapato de Anna Carolina, além das informações passadas pela Polícia Civil de que a camiseta de Alexandre teria vestígios de vômito de Isabella, não são verdadeiras. Segundo eles, o sangue não é de Isabella, assim como o vômito.

Ontem, o "Jornal Nacional", da TV Globo, revelou que os testes da perícia foram inconclusivos, mas mesmo assim os delegados que conduzem o caso disseram aos dois, no depoimento, que os laudos mostraram que havia sangue de Isabella no carro e vômito da menina em sua camiseta.

Levorin afirmou ainda que o casal não fez qualquer consulta para reservas em hotéis no exterior e, mesmo que a Justiça venha a decretar prisão preventiva, eles se apresentarão, assim como fizeram quando a prisão temporária foi determinada.

Perícias

A defesa informou hoje que irá contratar um perito particular para realizar uma análise técnica nos laudos elaborados pelo IC (Instituto de Criminalística) e pelo IML (Instituto Médico Legal). O perito deve ser contratado na próxima semana e não terá um tempo exato para concluir o trabalho. "São provas vulneráveis e ficamos positivamente surpresos quando tivemos acesso aos laudos". Segundo ele, o objetivo da análise é nortear o trabalho da defesa durante a instrução na Justiça.

negou que roupas tenham sido lavadas e que laudos não apontaram sangue na fralda que teria, segundo a polícia, sido utilizada para limpar o sangue da garota.

Corregedoria

Questionado sobre o motivo pelo qual apontaram irregularidades na investigação mas não as informaram formalmente à Corregedoria da Polícia Civil, a defesa disse que a hipótese não está descartada.

 

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