Registros de violência contra a mulher crescem no Rio, diz estudo
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Quase metade das vítimas de atentado violento ao pudor no Estado Rio são meninas de até 11 anos. A outra metade tem até 24 anos. A maioria delas conhecia seus agressores que, um quinto das vezes, eram seus pais ou padrastos.
Os números constam no Dossiê Mulher, um relatório anual que o ISP (Instituto de Segurança Pública) do governo do Estado do Rio divulgou nesta quarta-feira, Dia Nacional da Mulher. O estudo, que analisa os cinco tipos de crimes mais recorrentes contra mulheres --estupro, atentado violento ao pudor, ameaça, lesão corporal dolosa e homicídio doloso-- indica que mais pessoas do sexo feminino estão registrando casos que antes permaneciam ocultos.
O aumento, segundo a autora do estudo, a socióloga do ISP Andréia Soares, foi sentido depois da aprovação da Lei Maria de Penha, em 2006, que trata dos casos de mulheres vítimas de violência doméstica.
O estudo levantou todos os registros desses cinco tipo de crimes registrados durante o ano passado em todas as delegacias do Estado do Rio. Constatou que houve aumento em todos eles, em relação a 2006, em percentuais que variam entre 2,7% e 7,7%.
Com exceção de homicídio doloso, as mulheres são as maiores vítimas dos tipos de crime listados no estudo, segundo Soares.
"A violência contra a mulher ainda está muito disseminada na sociedade, isso não diminui nem está aumentando. O que existe hoje é uma maior procura das mulheres a delegacias", disse a diretora da DPAM (Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher) do Rio, a delegada Inamara Costa, responsável por nove delegacias especializadas de atendimento à mulher.
Para facilitar a identificação de casos de violência contra a mulher, a Polícia Civil do Rio adotou um tipo de crime denominado lesão corporal dolosa proveniente de violência doméstica, que, segundo a autora do estudo, respondem por 41% dos casos de lesão corporal dolosa registrados no Estado do Rio.
No registro de atentado violento ao pudor, a faixa etária das vítimas mulheres é a mais baixa dos cinco tipos pesquisados: 42,5% delas tinham até 11 anos e 54,6% eram meninas com idades entre 12 e 24 anos. Do total, segundo o relatório, 61% dessas vítimas conheciam seus agressores e, em 18% dos casos, eles eram seus pais ou padrastos.
"Violência contra a mulher não é só briga entre marido e mulher. É um problema social, de saúde e de segurança", disse Indamara Costa.
A delegada afirmou ainda perceber que a iniciativa de registrar casos de violência contra a mulher é maior em regiões mais pobres do Estado do Rio, como a baixada fluminense e o município de São Gonçalo. "Na zona sul [do Rio, região que concentra a maior parte da população de classe média alta da cidade] você percebe que as pessoas não procuram tanto as delegacias para isso".
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