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Cotidiano
04/05/2008 - 22h49

Excesso de passageiros é uma das principais causas de acidentes com barcos em rios

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da Agência Folha, em Manaus

Excesso de passageiros, colisão com outras embarcações e falta de fiscalização são as principais causas de acidentes com barcos nos rios da Amazônia. Segundo a Marinha, 26 mil embarcações estão regularizadas na Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, e outras 5.000 circulam clandestinamente.

A embarcação "Comandante Sales", que naufragou hoje em Manacapuru (84 km de Manaus), estava na clandestinidade. Não deveria estar em operação, pois foi apreendida em janeiro. O proprietário, Francisco Sales, ficou como fiel depositário do barco e não se apresentou para regularizar a situação na Capitania dos Portos de Manaus. "Se o barco não estava autorizado a navegar, a viagem era clandestina", afirmou o capitão-tenente Raimundo Lenilton de Araújo, do 9º Distrito Naval da Marinha.

Um inquérito administrativo foi instaurado, segundo a Marinha, para apurar o acidente, com prazo de 90 dias para ser concluído, podendo ser prorrogado por até um ano. Mas, para as famílias que perdem parentes nos acidentes, a Justiça é lenta nos resultados.

Antônio Rudstein Ramos da Silva, 41, perdeu dois familiares no acidente com a embarcação "Almirante Monteiro", que aconteceu em fevereiro, no rio Amazonas, na vila Remanso, em Itacoatiara (90 km ao centro de Manaus). Segundo a Marinha, o condutor de uma balsa bateu no barco "Almirante Monteiro" e não prestou socorro. Morreram 16 pessoas.

Entre os mortos estavam a cunhada de Rudstein Silva, Maria do Socorro da Silva Leitão, 44, e o irmão dela, José Luiz Cota Leitão, 44. "Por mais que contratemos advogados, a gente fica à mercê da Justiça. Ninguém é preso e a dor da família nunca passa", afirmou.

 

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