Cotidiano
05/05/2008 - 12h17

Municípios de SC decretam emergência devido a ciclone; 17 mil estão sem luz no RS

da Folha Online

Seis municípios de Santa Catarina decretaram estado de emergência devido à passagem de um ciclone extratropical pela região Sul do país no fim de semana, que provocou prejuízos a pelo menos 280 mil pessoas. No Rio Grande do Sul, ao menos 17 mil clientes permanecem sem luz e, segundo a Defesa Civil, ao menos sete municípios devem decretar estado de emergência ainda nesta segunda-feira.

Os municípios que decretaram estado de emergência em Santa Catarina são Araranguá, Paulo Lopes, Arroio Silva, Ermo, Jacinto Machado e Sombrio. Com o decreto, a administração municipal pode agir mais rapidamente e contratar serviços e obras sem licitação, por exemplo.

Jefferson Bernardes /Palácio Piratini
Vista aéra das áreas atingidas pela enchente na região do Vale do Caí, no Rio Grande do Sul; ao menos 17 mil permanecem sem luz
Vista aéra das áreas atingidas pela enchente na região do Vale do Caí, no Rio Grande do Sul; ao menos 17 mil permanecem sem luz

Previsão do Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), aponta que o ciclone permanece no Sul do país hoje.

Danos

Balanço das defesas civis de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul contabilizam um total de 620 pessoas desabrigadas --que estão acolhidas em abrigos. São 270 em Santa Catarina e outras 350 no Rio Grande do Sul. Ainda no Rio Grande do Sul, outras 3.500 pessoas estão desalojadas --estão em casa de parentes ou amigos.

Duas rodovias estão interditadas. O caso mais crítico é o da BR-101, em Santa Catarina, que tem um trecho de nove quilômetros submerso por cerca de 1,5 metro de água entre os kms 403 e 412.

Segundo o tenente-coronel Joel Prates Pedroso, subchefe da Defesa Civil no Rio Grande do Sul, choveu forte em 378 dos 496 municípios do Estado. Desse total, 35 foram os mais atingidos, entre eles Porto Alegre, o entorno da capital e litoral. Apesar da previsão de mais chuva, a água acumulada da chuva está baixando, segundo o Pedroso.

O fornecimento de água no município de Porto Alegre foi restabelecido segundo o Dmae (Departamento Municipal de Água e Esgotos). No sábado, a falta de energia elétrica paralisou estações de abastecimento de água.

Energia elétrica

As concessionárias de energia elétrica ainda não conseguiram reverter totalmente os estragos provocados pelo ciclone. No sábado, cerca de 247 mil ficaram sem luz no Estado do Rio Grande do Sul.

Ainda nesta segunda-feira, pelo menos 17 mil clientes permanecem sem energia elétrica.

Continuam sem luz cerca de 4.000 clientes da concessionária AES Sul, principalmente nas cidades de São Leopoldo (1.500), Novo Hamburgo (1.000), Dois Irmãos e Portão (800 no total). Os principais problemas, de acordo com a empresa, foram causados por quedas de galhos em fiação.

Outras 900 pessoas, moradores da área atendida pela RGE (Rio Grande Energia), também continuam sem energia. Os municípios mais afetados dessa concessionária são Gravataí (500) e São Francisco de Paulo (150).

O transbordamento de um rio deixa 250 clientes da empresa praticamente ilhados nos municípios de Taquara, Rolante e Riozinho. Devido a isso as equipes da RGE sequer conseguem chegar até os pontos para restabelecer o fornecimento de energia elétrica.

A CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) contabiliza 12 mil sem abastecimento de energia devido aos problemas do ciclone. Os municípios mais afetados são Guaíba, Viamão e Alvorada

Estradas

Desde as 23h30 de sábado (3), o tráfego na RS-486 --que liga o litoral à região serrana do Rio Grande do Sul-- está totalmente bloqueado na altura do km 2,8, região de Itati. O problema começou com um deslizamento de pedras e se agravou com uma queda de barreira ocorrida na madrugada. Equipes trabalham na limpeza da via, que deverá ser liberada até o final do dia, segundo a Polícia Rodoviária Estadual

Para amenizar o impacto causado pelo bloqueio na estrada federal, o Daer (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem) liberou --excepcionalmente-- o fluxo de carga pesada na RS-389, a Estrada do Mar, entre Torres e Capão da Canoa.

A situação mais crítica é da BR-101 que está com nove quilômetros que cortam Santa Catarina debaixo de água. De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o trecho de pista submerso é o que liga Araranguá a Maracajá, entre o km 403 e 412. Por dia são cerca de 30 mil veículos que trafegam no trecho.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, as rodovias estaduais podem ser uma alternativa, no entanto, a opção mais segura é optar pela BR-116.

 

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