Cotidiano
06/05/2008 - 16h51

Instituto do Câncer abre as portas em SP; centro é o maior da América Latina

da Folha de S.Paulo
da Folha Online

Atualizado às 19h15

O Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (ex-Instituto Doutor Arnaldo) foi inaugurado na tarde desta terça-feira e entra em funcionamento amanhã (7). Este é o maior centro oncológico da América Latina, e a gestão ficará a cargo da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

O governo e a USP querem transformar o hospital em um centro de referência internacional em tratamento e pesquisa do câncer.

Para o diretor da Faculdade de Medicina da USP, Marcos Boulos, o hospital se tornará, "em pouco tempo", referência em tratamento e pesquisa do câncer. "Uma proposta inovadora é reunir no mesmo local todas as fases e tratamento do paciente. Dos modernos métodos de diagnóstico até a reabilitação completa."

O governador José Serra (PSDB) ressaltou que o hospital terá um andar inteiro destinado somente à reabilitação daqueles pacientes que tiverem a capacidade motora prejudicada em decorrência da doença. O hospital abre amanhã, mas só estará em pleno funcionamento "em meados do ano que vem", de acordo com o governador.

O secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, comparou a inauguração do hospital à inauguração do Incor (Instituto do Coração), do HC (Hospital das Clínicas), há 30 anos. O prefeito Gilberto Kassab corroborou a comparação e afirmou que "a USP, que já tinha no Incor uma referência na cardiologia nacional terá, em poucos meses, mais uma de suas referências, agora na história da oncologia".

O vice-presidente José Alencar, representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e os ex-governadores Geraldo Alckmin e Cláudio Lembo também participaram da cerimônia de inauguração do instituto, localizado na avenida Doutor Arnaldo (zona oeste).

Hospital

Na primeira etapa, apenas os doentes que já se tratam no HC, em torno de 4.000, serão atendidos no instituto. A partir do próximo ano, o atendimento será ampliado a pacientes de outros serviços públicos. Dos 29 pavimentos do hospital, oito entram em funcionamento amanhã --entre eles, o pronto-atendimento, os ambulatórios de oncologia clínica e ginecológica e a quimioterapia.

Segundo o diretor-geral do instituto, Giovanni Cerri, em três meses começa a funcionar a área cirúrgica. Com ela, será aberta parte das alas de internação.

As primeiras cirurgias serão nas áreas ginecológicas (câncer de mama e de colo do útero, por exemplo), urológicas (como câncer da próstata e das vias urinárias) e do aparelho digestivo (câncer de estômago, por exemplo). O setor de diagnósticos deve funcionar até o final do ano, segundo Cerri.

O diretor-geral explica que o último setor a ser implantado no instituto, até dezembro de 2009, será o de radioterapia. Quando isso ocorrer, a cidade terá mais que triplicado os seus leitos de câncer --hoje estimados em 170.

No instituto também serão desenvolvidas atividades de ensino e de pesquisa. Anualmente, 101 mil novos casos de câncer são registrados no Estado, sendo 35 mil na cidade de São Paulo.

As obras do prédio começaram em 87, pararam em 94 e foram retomadas parcialmente em 99. Desde que o governo atual retomou as obras, em 2003, foram investidos R$ 270 milhões. O instituto terá custo anual de R$ 190 milhões.

 

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