Travesti favorece Ronaldo em depoimento, mas nega extorsão e furto
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Em depoimento de quase quatro horas à polícia, nesta terça-feira, o travesti Andréia Albertini contou uma versão da confusão com Ronaldo, do Milan, que ao mesmo tempo favorece o jogador e livra os travestis dos crimes de extorsão e furto pelos quais podem ser indiciados.
Segundo a íntegra do depoimento, Albertini afirmou que não houve sexo nem consumo de drogas no quarto do motel Papillon, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), para onde foi com Ronaldo e outros dois travestis. Disse ainda que o jogador não bebeu, apesar de o frigobar ter sido esvaziado por três vezes, e que, quando percebeu que os três eram travestis, "ficou chateado porém continuou sendo gentil".
Albertini afirmou que, apesar de não ter havido relações sexuais no quarto do motel, os quatro demoraram quase três horas no local porque "ficaram conversando por cerca de 30 minutos", porque os travestis tomaram banho e, depois, discutiram sobre o pagamento do programa.
Documento
No entanto, o travesti negou que tenha tentado roubar o documento do carro de Ronaldo --que ficou na bolsa de Albertini depois da confusão-- e extorqui-lo. No depoimento, disse que o jogador tirou-o do bolso porque os travestis achavam que ele era um sósia de Ronaldo e o documento ficou "ao lado de sua bolsa".
No motel Papillon, Albertini --ainda de acordo com o depoimento-- ficou nervoso porque o jogador teria se negado a pagar o que havia prometido, chegando a gritar: "você pode até me pagar R$ 50 mil que para você não faz falta alguma'".
Indiciamento
Na semana passada, o delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto, da 16ª DP (Barra), afirmou que Andréia pode ser indiciada por ter exigido R$ 50 mil de Ronaldo para não levar o caso à imprensa. O travesti afirmou que Ronaldo pagou a ela R$ 300, mas havia lhe prometido R$ 1.300, quantia que, segundo ela, o jogador pagou aos outros dois travestis.
Para justificar as supostas mentiras, Albertini disse ao delegado que "está muito chateada e profundamente arrependida com algumas coisas que possa ter falado" e só inventou que o jogador havia consumido drogas e feito sexo com um dos travestis "pois estava muito magoada de não ter recebido o mesmo valor de Carla e Veida [seus colegas]".
No depoimento, Albertini contou também que é o único travesti que trabalha no ponto de prostitutas onde Ronaldo a pegou para fazer um programa. Ele disse se prostituir no local há quatro anos.
Andréia negou também que houve consumo de drogas e que tenha ido à Cidade de Deus para comprar cocaína, como havia afirmado na semana passada. O travesti disse que, durante o programa, foi de táxi a redações de jornais para contar que estava com Ronaldo no motel, mas, como não conseguiu falar com nenhum jornalista, voltou ao motel no mesmo táxi.
Ao chegar no local, afirmou, encontrou Ronaldo na garagem do estabelecimento e tentou cobrar-lhe novamente os R$ 1.300. Como o jogador negou, Albertini "fez um verdadeiro escândalo" e teve a idéia de inventar que houve sexo e drogas, disse o travesti no depoimento.
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eu to lendo a folha ou a contigo??????????????????
maldita inclusão digital
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