Manifestação prejudica circulação de ônibus em SP e paralisa Expresso Tiradentes
da Folha Online
Texto atualizado às 12h10
Uma manifestação realizada por trabalhadores do transporte público municipal de São Paulo prejudica o funcionamento dos 27 terminais de ônibus existentes na cidade e paralisa as atividades do Expresso Tiradentes nesta quarta-feira. Trabalhadores também paralisaram as atividades hoje em Fortaleza.
O protesto em São Paulo é promovido pelo Sindmotoristas (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores no Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo) e deve durar até as 14h. Entre outras reivindicações, eles querem o que consideram reposição das perdas salariais, melhorias no plano de saúde, cesta básica e pagamento de PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
Segundo a SPTrans (empresa que gerencia o transporte público em São Paulo), as paralisações nos terminais começaram de forma gradual, a partir das 10h40. Até as 11h40, nenhum terminal teve de ser fechado. Isso só será feito caso não haja nenhum ônibus em circulação, segundo a empresa.
A SPTrans não soube informar quantos passageiros são prejudicados pela manifestação. Diariamente, são realizadas 5,5 milhões de viagens. O número exato de passageiros depende da quantidade de viagens que cada um realizada no dia.
As operações do Expresso Tiradentes foram interrompidas totalmente às 11h10. Por dia apenas o Expresso Tiradentes transporta 42,5 mil passageiros.
Circulação
A manifestação atinge os 8.000 ônibus do chamado sistema estrutural --as concessionárias de ônibus que atuam em linhas que geralmente vão dos bairros ao centro e percorrem grandes vias e os corredores exclusivos de ônibus. Eles cobram os patrões, ligados ao SP-Urbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo).
Os veículos das linhas do chamado sistema local --os permissionários que operam em sua maioria dentro dos bairros e operam geralmente com ônibus menores-- não participam da manifestação.
Devido a isso, a SPTrans solicitou aos permissionários que prolonguem o percurso das linhas que costumeiramente fazem e levem os passageiros até os terminais de trem e de metrô, o que deve elevar a demanda pelos sistemas operados pelo Metrô e pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
Reivindicações
A lista de reivindicações dos trabalhadores incluem o que consideram reposição das perdas salariais de 5,54% mais 5% de aumento real. Segundo o Sindmotoristas, eles querem ainda ter um plano de saúde com qualidade, pagamento de participação nos lucros e resultados das empresas, fim da jornada flexível e folga dupla para aqueles que atuam no setor de manutenção dos veículos.
Os funcionários querem também um plano de cargos e salários para o setor de manutenção e cursos de qualificação profissional.
Em nota, o sindicato dos trabalhadores informou que a pauta de reivindicações foi protocolada no dia 20 de março e desde então tiveram duas reuniões com os proprietários das empresas, que, segundo eles, foi infrutífera.
Outro lado
Em nota, o SP-Urbanuss informou que o movimento deflagrado pelos trabalhadores é político sindical. Segundo o sindicato patronal, as negociações sobre as reivindicações vinham se desenrolando normalmente com a discussão de diversas cláusulas.
O SP-Urbanuss informou ainda que para evitar prejuízos à população, se comprometeu a manter a data base dos trabalhadores. Com isso, qualquer resultado das negociações em curso serão pagos com a data retroativas a 1º de maio.
"Finalmente, manifestamos nosso absoluto repúdio a mais uma demonstração de desrespeito à população de São Paulo, que acaba sendo afetada por esse novo protesto do Sindicato dos Motoristas, cujos objetivos estão claramente voltados para a realização de eleições daquele sindicato marcadas para os próximos dias 15 e 16 de maio", informa o texto.
O Sindmotoristas informou às 12h10 que só iria se manifestar após tomar conhecimento do teor da nota do SP-Urbanuss.
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