Cotidiano
07/05/2008 - 14h05

Paralisação de motoristas esvazia terminais de ônibus em SP; linhas retomam trabalho

da Folha Online

Um protesto realizado por motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo esvaziou terminais e deixou parte da população sem transporte nesta quarta-feira. A paralisação começou de forma gradual, por volta das 10h40, e o transporte começou a ser retomado pouco antes das 14h. A SPTrans (empresa que gerencia o transporte público na cidade) informou que as primeiras linhas a voltar a circular são da zona sul --no entanto, a normalização também será gradual.

A manifestação promovida pelo Sindmotoristas (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores no Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo) reivindica, entre outros pontos, reposição das perdas salariais, melhorias no plano de saúde, cesta básica e pagamento de PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Trabalhadores também paralisaram as atividades hoje em Fortaleza.

Em São Paulo, o protesto paralisou as atividades do Expresso Tiradentes e prejudicou o funcionamento de 24 dos 27 terminais de ônibus da cidade. De acordo com a SPTrans, não foram afetados os terminais Cachoeirinha, Casa Verde e Pirituba, todos na zona norte.

Não há, no entanto, um levantamento não número de ônibus paralisados ou de passageiros afetados. Diariamente, são realizadas 5,5 milhões de viagens.

As operações do Expresso Tiradentes foram interrompidas totalmente às 11h10. Por dia apenas o Expresso Tiradentes transporta 42,5 mil passageiros.

O período do protesto --até as 14h-- foi estabelecido pelo sindicato dos trabalhadores, que deve realizar uma assembléia geral na próxima sexta (9). De acordo com a categoria, na ocasião, será decretado o estado de greve.

Circulação

A manifestação atingiu cerca de 8.000 ônibus do chamado sistema estrutural --as concessionárias de ônibus que atuam em linhas que geralmente vão dos bairros ao centro e percorrem grandes vias e os corredores exclusivos de ônibus. Eles cobram os patrões, ligados ao SP-Urbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo).

Os veículos das linhas do chamado sistema local --os permissionários que operam em sua maioria dentro dos bairros e operam geralmente com ônibus menores-- não participaram da manifestação.

Devido a isso, a SPTrans solicitou aos permissionários que prolongassem o percurso das linhas que costumeiramente fazem e levem os passageiros até os terminais de trem e de metrô.

Reivindicações

A lista de reivindicações dos trabalhadores incluem o que consideram reposição das perdas salariais de 5,54% mais 5% de aumento real. Segundo o Sindmotoristas, eles querem ainda ter um plano de saúde com qualidade, pagamento de participação nos lucros e resultados das empresas, fim da jornada flexível e folga dupla para aqueles que atuam no setor de manutenção dos veículos.

Os funcionários querem também um plano de cargos e salários para o setor de manutenção e cursos de qualificação profissional.

Em nota, o sindicato dos trabalhadores informou que a pauta de reivindicações foi protocolada no dia 20 de março e desde então tiveram duas reuniões com os proprietários das empresas, que, segundo eles, foi infrutífera.

Outro lado

Em nota, o SP-Urbanuss informou que o movimento deflagrado pelos trabalhadores é político sindical. Segundo o sindicato patronal, as negociações sobre as reivindicações vinham se desenrolando normalmente com a discussão de diversas cláusulas.

O SP-Urbanuss informou ainda que para evitar prejuízos à população, se comprometeu a manter a data base dos trabalhadores. Com isso, qualquer resultado das negociações em curso serão pagos com a data retroativas a 1º de maio.

"Finalmente, manifestamos nosso absoluto repúdio a mais uma demonstração de desrespeito à população de São Paulo, que acaba sendo afetada por esse novo protesto do Sindicato dos Motoristas, cujos objetivos estão claramente voltados para a realização de eleições daquele sindicato marcadas para os próximos dias 15 e 16 de maio", informa o texto.

O Sindmotoristas informou às 12h10 que só iria se manifestar após tomar conhecimento do teor da nota do SP-Urbanuss.

 

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