Imbróglio faz Japão mudar moeda do centenário e perder R$ 1,3 mi
da Folha Online
Um imbróglio no Brasil custou ao governo japonês 80 milhões de ienes (aproximadamente R$ 1,3 milhão), nesta semana. De acordo com o Ministério de Finanças do Japão, o montante foi gasto para cunhar moedas comemorativas pelo centenário da imigração japonesa no Brasil que não poderão ser utilizadas por um problema de direitos autorais.
| Reprodução |
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| O monumento dos 90 anos da imigração japonesa no Brasil |
A moeda possui, em uma face, uma reprodução do monumento que a escultora Cláudia Fernandes fez em 1998, quando a imigração japonesa no Brasil comemorava 90 anos --a obra fica em Santos (litoral de SP), cidade onde os primeiro imigrantes chegaram. Fernandes, no entanto, disse que soube da moeda pela imprensa e que nunca autorizou o uso da imagem de seu monumento na moeda.
Ela diz que abriu negociações com a ACCIJB (Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil) para conseguir ter o nome divulgado ou acrescentado aos jogos de moedas que serão vendidos nos bancos japoneses, depois de tomar conhecimento, mas que as negociações nunca renderam propostas concretas.
Para desatar o nó de uma vez por todas, nesta semana, o Japão informou que desistiu de negociar, alterou o desenho da moeda --adotou uma imagem do primeiro navio de imigrantes japoneses que chegou ao Brasil, o Kasato Maru--, cunhou novos 142 mil jogos e os colocou à venda. Os jogos chegam aos bancos no próximo dia 18 de junho, por 2.400 ienes (aproximadamente R$ 39).
"Os repórteres japoneses que estiveram aqui me telefonaram perguntando 'por que você não autorizou a moeda?' E eu falei que não me pediram autorização. Eu quero que o Japão peça autorização, coloque o meu nome lá. Por que só agora que essa história virou meio que um escândalo é que todo mundo sabe quem eu sou? Por que não souberam antes?", disse a escultora.
Fernandes contratou um advogado que ainda tenta contato com o Japão para pôr as moedas em circulação; diz estar disposta a liberar as moedas e trata o assunto como "um grande erro de comunicação".
Respostas
O cônsul-geral-adjunto do Japão em São Paulo, Jiro Maruhashi, representante do governo japonês em São Paulo, confirmou que o governo daquele país cunhou as moedas com base nas informações erradas da Federação das Associações das Províncias do Japão no Brasil e, mais tarde, da ACCIJB. Maruhashi classifica o tropeço de "ocorrência infeliz".
"O Japão não tinha intenção de infringir ou violar direito autoral."
O presidente do Comitê Executivo da ACCIJB, Osamu Matsuo, afirmou que a associação e a federação achavam deter os direitos para usar a imagem na cunhagem e, por isso, liberaram o projeto. "É uma pena. Nós fizemos tudo com boas intenções. O governo queria comemorar usando o desenho, pensando que estivesse tudo direito."
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