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Cotidiano
07/05/2008 - 22h03

Com prisão preventiva decretada, pai e madrasta de Isabella enfrentam multidão em Guarulhos

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RENATO SANTIAGO
da Folha Online

Cerca de 800 pessoas se concentram na noite desta quarta-feira em frente ao edifício Serra de Bragança, em Guarulhos (Grande São Paulo), onde o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pela morte da menina Isabella, 5, se entregaram à polícia.

A avenida Timóteo Penteado, na Vila Galvão, foi totalmente fechada ao tráfego às 19h30, mas o acúmulo de pessoas --principalmente moradores do bairro-- começou por volta das 18h, logo depois que a prisão preventiva do casal foi decretada pela Justiça.

A cada movimentação de carros do GOE (Grupo de Operações Especiais, da Polícia Civil) --que escoltará os presos--, da Polícia Militar --que faz a segurança na área-- e de cinegrafistas, há gritaria. Por volta das 20h, a multidão foi retirada da calçada em frente ao prédio e confinada a uma distância maior do edifício.

O clima no local não condiz, no entanto, com a tragédia da morte da menina. Quando o apresentador Geraldo Luís, da Record, chegou ao local, houve tietagem e muitos entoaram seu nome. Outras pessoas chegaram a levantar camisas da Gaviões da Fiel e fazer coro para o Palmeiras, que foi respondido pela torcida adversária. Um cartaz com pedido de Justiça podia ser visto em meio à confusão.

Uma pizzaria localizada nas proximidades chegou a baixar as portas momentaneamente. Muitas pessoas também espiavam a movimentação por meio das janelas do 2º DP da cidade, localizado a poucos metros do prédio.

Violência

Isabella foi asfixiada e jogada do apartamento do pai e da madrasta, na zona norte de São Paulo, na noite de 29 de março. Alexandre e Anna Jatobá são acusados de homicídio com três qualificadoras ----asfixia, crime motivado por intenção de impunidade e impossibilidade de defesa da vítima.

Para o promotor Francisco Cembranelli, a criança foi asfixiada por Anna Carolina e jogada do sexto andar do edifício London (zona norte) pelo pai. Ambos negam o crime e dizem que Isabella foi morta por uma terceira pessoa --assaltante ou desafeto--, que invadiu o apartamento.

Em seu despacho, o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de Santana --que decretou a prisão--, afirmou ter levado em consideração a conduta do casal, que 'deixa transparecer que se tratam de pessoas desprovidas de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão humana, ainda mais em se tratando do fato de que a vítima seria filha de um deles e enteada do outro'. A defesa já informou que apresentará à Justiça um pedido de habeas corpus para o casal.

 

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