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Cotidiano
08/05/2008 - 01h07

Alexandre Nardoni ficará em cela improvisada com colchão e sem TV

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CAMILA NEUMAM
da Folha Online

Alexandre Nardoni, 29, pai da menina Isabella, será encaminhado ao 13º Distrito Policial (Casa Verde), na zona norte de São Paulo, após passar pelo exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal). Ao menos nos primeiros três dias de prisão, ele ficará provisoriamente em uma cela separada dos demais presos. O DP abriga 35 homens com curso superior.

A cela do pai de Isabella é improvisada. Ele ficará em uma sala com cerca de dois metros quadrados com um colchão no chão e sem TV. As demais celas têm cinco metros de largura por cinco de comprimento.

Alexandre e Anna Carolina Jatobá, sua mulher, se entregaram à Polícia Civil na noite desta quarta-feira (7) cerca de quatro horas depois de a Justiça decretar a prisão preventiva de ambos, após denúncia do Ministério Público na terça-feira (6). Eles são acusados pelo assassinato de Isabella.

Segundo o delegado-titular do 13º DP, Reynaldo Peres, uma cela foi improvisada na carceragem para abrigar Alexandre. A medida foi tomada por iniciativa do próprio delegado, que alega ser uma forma de evitar tumulto entre os presos.

"É a única forma de preservar a integridade dele", afirmou o delegado.

Peres disse que os detentos não foram informados oficialmente sobre a futura presença de Alexandre. Porém, afirmou o delegado, todas as celas possuem televisão e os detentos podem saber sobre a ida de Alexandre para a carceragem.

O delegado afirmou que não é um procedimento padrão o improviso de celas para presos, porém, ele fará uma experiência com Alexandre para observar a reação dos presos. Caso os detentos protestem contra a presença do pai de Isabella, ele ficará longe dos demais por tempo indeterminado.

Crime

Isabella foi assassinada quando passava o fim de semana com o pai e a madrasta. O promotor Francisco Cembranelli, apresentou a denúncia [acusação formal] na terça-feira contra o casal por homicídio, com três qualificadoras --asfixia, crime motivado por intenção de impunidade e impossibilidade de defesa da vítima.

Para o promotor a criança foi asfixiada por Anna Carolina e jogada do sexto andar do edifício London (zona norte) pelo pai. Na denúncia, Cembranelli também responsabiliza o casal por fraude processual --por ter alterado a cena do crime.

Cembranelli apontou como provas contra o casal laudos periciais e versões de testemunhas. Alexandre e Anna Carolina negam o crime e afirmam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa --assaltante ou desafeto--, que invadiu o apartamento.

A prisão foi decretada pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de Santana (zona norte), que considerou o casal insensível e "sem moral".

"Deixa transparecer que se tratam de pessoas desprovidas de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão humana, ainda mais em se tratando do fato de que a vítima seria filha de um deles e enteada do outro", afirmou o juiz em sua decisão. Leia a íntegra do despacho.

 

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