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Cotidiano
08/05/2008 - 01h17

Casal Nardoni deixa IML de São Paulo; Alexandre chega ao 13º DP

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FELIPE MAIA
RENATO SANTIAGO
da Folha Online
CAMILA NEUMAM
Colaboração para a Folha Online

O pai e a madrasta da menina Isabella, o casal Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, deixaram o IML (Instituto Médico Legal) Central, em Pinheiros, por volta da 1h desta quinta-feira, cerca de 30 minutos depois de chegarem ao local para realização dos exames de corpo de delito. Alexandre chegou cerca de dez minutos depois ao 13º DP (Casa Verde). Anna Carolina segue para a carceragem do 97º DP (Americanópolis).

Poucas pessoas que aglomeravam em frente ao local gritaram insultos na saída do casal do IML. Diferente do que ocorreu no 9º Distrito Policial (Carandiru), onde uma multidão causou tumulto na chegada do pai e da madrasta de Isabella.

Alexandre e Anna Carolina se entregaram à Polícia Civil cerca de quatro horas depois de a Justiça decretar a prisão preventiva de ambos, após denúncia do Ministério Público na terça-feira (6).

O pai de Isabella ficará, ao menos nos primeiros três dias de prisão, provisoriamente em uma cela separada dos demais presos. O distrito abriga 35 homens com curso superior.

Já a madrasta será encaminhada no decorrer no dia de hoje para a Penitenciária Feminina da Capital, no Carandiru, já que a unidade não pode receber presas durante à noite. No entanto, segundo a delegada Renata Pontes, do 9º DP, as detentas do presídio ameaçam se rebelar caso Anna Carolina seja encaminhada para a unidade.

Carros do GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil levaram e escoltaram o casal até o 9º DP, assim como motos da Polícia Militar. Uma multidão aguardava na rua a saída do casal do prédio. Um cordão de isolamento foi formado para evitar que o público se aproximasse dos veículos que levaram Alexandre e Anna Carolina.

Isabella foi assassinada quando passava o fim de semana com o pai e a madrasta. O promotor Francisco Cembranelli apresentou a denúncia [acusação formal] na terça-feira contra o casal por homicídio, com três qualificadoras --asfixia, crime motivado por intenção de impunidade e impossibilidade de defesa da vítima.

Para o promotor a criança foi asfixiada por Anna Carolina e jogada do sexto andar do edifício London (zona norte) pelo pai. Na denúncia, Cembranelli também responsabiliza o casal por fraude processual --por ter alterado a cena do crime.

Cembranelli apontou como provas contra o casal laudos periciais e versões de testemunhas. Alexandre e Anna Carolina negam o crime e afirmam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa --assaltante ou desafeto--, que invadiu o apartamento.

A prisão foi decretada pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de Santana (zona norte), que considerou o casal insensível e "sem moral".

"Deixa transparecer que se tratam de pessoas desprovidas de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão humana, ainda mais em se tratando do fato de que a vítima seria filha de um deles e enteada do outro", afirmou o juiz em sua decisão. Leia a íntegra do despacho.

 

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