Após prisão de casal, delegados acenam, são aplaudidos e tiram fotos com fãs
RENATO SANTIAGO
da Folha Online
A prisão do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella Nardoni, nesta quarta-feira, terminou com cenas pouco comuns para delegados de polícia: aplausos, acenos e até fotografias.
Na porta do 9º DP (Carandiru), que concentra as investigações, equipes do GOE (Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil) mantiveram as centenas de pessoas que assistiam à movimentação longe do casal, que chegava para assinar os papéis de sua prisão. Luiz Antonio Pinheiro, que não participou das investigações, mas coordena o grupo, foi aplaudido várias vezes e atendeu até o pedido de uma garota para tirar uma foto a seu lado.
Enquanto Alexandre e Anna Carolina estavam no 9º DP, o delegado Calixto Calil Filho, responsável pelas investigações, foi conferir como estava a concentração do público no lado de fora do seu distrito. Calil abriu a cortina do segundo andar e, imediatamente, recebeu aplausos, os quais respondeu com um rápido aceno. Minutos depois, voltou para cumprimentar novamente o público.
Até o promotor Francisco Cembranelli, que não estava na delegacia, foi lembrado e teve o nome cantado em coro por parte dos presentes. Mas Calil foi quem recebeu novas palmas enquanto declarava que sua missão estava cumprida, logo após o casal deixar a delegacia e ir para o IML (Instituto Médico Legal), para exames de praxe.
Prisão
Ontem, o promotor denunciou e pediu a prisão preventiva do casal pela morte da menina, ocorrida no 29 de março, quando ela foi lançada da janela do apartamento do pai, no sexto andar do edifício London (zona norte). No início da noite, o juiz Maurício Fossen acolheu o pedido e determinou que os dois fossem para a cadeia.
Por volta das 18h, quando a prisão foi decretada, a aglomeração começou na porta do edifício Serra de Bragança, em Guarulhos (Grande São Paulo) onde o casal estava. A polícia foi obrigada a fechar a rua e tirar a população de frente do prédio.
O clima, no entanto, não condizia com a tragédia da morte da menina. A cada movimentação de carros da polícia e de cinegrafistas, há gritaria e histeria. Quando o apresentador Geraldo Luís, da Record, chegou houve tietagem e muitos entoaram seu nome. Outros chegaram a levantar camisas da Gaviões da Fiel e houve quem gritasse "Palmeiras", o que foi respondido pelos corintianos.
Agressão
A poucos metros do apartamento da família Jatobá, um policial civil agrediu um motociclista que havia sido detido em frente ao prédio, onde dezenas de jornalistas se concentravam para esperar a saída do casal.
O motociclista se identificou apenas como Oliveira Lima e havia tentando passar pelo bloqueio da Polícia Militar na rua, alegando direito de ir e vir. Os policiais militares o detiveram, apreenderam sua moto e o levaram para o 2º DP, que fica ao lado do prédio.
Por volta das 21h50, Lima tentou recuperar a moto, mantida em frente à delegacia, mas foi impedido e foi levado novamente para dentro do DP. No local, o motoqueiro foi agredido com um tapa no rosto e uma paulada na cabeça por uma agente que usava um colete da Polícia Civil.
O policial não quis se identificar e disse que Lima estava drogado e seria enquadrado por desacato. Questionado, negou a agressão, mas o tapa e a paulada foram testemunhados pela reportagem.
Em seguida ele deixou o DP e foi para um bar vizinho.
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