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Cotidiano
08/05/2008 - 03h43

Pai e madrasta de Isabella voltam à prisão por decisão da Justiça

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da Folha Online

Atualizado às 5h50

Pouco mais de um mês depois da morte da menina Isabella Nardoni, 5, o pai Alexandre Nardoni e a madrasta Anna Carolina Jatobá, acusados pelo crime, tiveram a prisão preventiva decretada e voltaram à prisão, seguindo a denúncia oferecida pelo Ministério Público.

A decisão foi dada pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de Santana (zona norte), que considerou o casal insensível e "sem moral" ao asfixiar e arremessar a menina pela janela do apartamento onde moram, na zona norte São Paulo. O casal nega as acusações.

A partir de agora, Alexandre e Anna Carolina passam a ser réus no processo que apura a morte da criança. O juiz espera interrogar o casal no próximo dia 28.

"Deixa transparecer que se tratam de pessoas desprovidas de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão humana, ainda mais em se tratando do fato de que a vítima seria filha de um deles e enteada do outro", afirmou o juiz em sua decisão. Leia a íntegra do despacho.

Nardoni e Anna Jatobá se entregaram à Polícia Civil no fim da tarde desta quarta-feira (6). Por volta das 22h30, eles deixaram o prédio do pai da madrasta, em Guarulhos (Grande SP), e foram encaminhados ao 9º DP (Carandiru), na zona norte de São Paulo.

Em carros separados, o pai e a madrasta chegaram à delegacia sob tumulto e ofensas da multidão que já aguardava a chegada dos acusados. Eles foram levados para assinar o termo da prisão preventiva.

Carros do GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil levaram e escoltaram o casal até o 9º DP, assim como motos da Polícia Militar. No local, houve tentativa de agressão por parte da multidão.

Segundo reportagem da Folha, a polícia teve de usar até gás de pimenta para conter os curiosos em frente ao apartamento do pai de Anna Carolina Jatobá.

Um cordão de isolamento foi formado para evitar que o público se aproximasse dos veículos que levaram o casal. Um homem chegou a ser agredido pela polícia ao tentar furar o bloqueio.

Em seguida, o casal foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) para realizar exames de corpo de delito.

Carceragem

Anna Carolina e Alexandre passarão a noite em em diferentes distritos policiais da cidade. A madrasta foi levada para a carceragem feminina do 97º DP (Americanópolis), de onde deve ser encaminhada para a Penitenciária Feminina da Capital, no Carandiru, nesta quinta.

De acordo com da delegada Renata Pontes, que investigou a morte de Isabella, as detentas do presídio ameaçam se rebelar caso Anna Carolina seja encaminhada para a unidade.

Pouco depois da 1h desta quinta-feira, a madrasta chegou no 97º DP e foi colocada sozinha em uma cela de 18 metros quadrados. Segundo o delegado titular José Tanganelli, a cela não tem chuveiro e nem colchão. Anna dorme sobre um pedaço de papelão e usa um cobertor.

O pai de Isabella, por sua vez, deu entrada no 13º DP (Casa Verde), onde há celas para homens com curso superior completo. Lá, ele ficará em um cubículo separado de outros presos, improvisado com apenas um colchão, e sem chuveiro ou televisão.

Ao menos nos primeiros três dias de prisão provisória, ele deve dividir a cela com um homem que matou um filho e jogou em um lixão, em 2005, segundo a delegada Pontes.

Logo após a divulgação da ordem de prisão, por volta das 18h30, a frente do prédio foi tomada por centenas de pessoas, que gritavam "justiça" e "assassina".

A rua acabou isolada pela polícia depois que o carro do pai de Alexandre, Antonio Nardoni, foi atingido por uma pancada de uma mulher.

Habeas corpus

O advogado Rogério Neres de Souza, um dos três que defendem o casal, já afirmou que a defesa apresentará um pedido de habeas corpus para o pai e para a madrasta de Isabella. A expectativa é que o pedido seja feito nesta quinta.

Segundo a Folha, a defesa já admitia que o pedido de prisão não tinha fundamento e que entraria na Justiça com um pedido de habeas corpus para que os dois respondam ao processo em liberdade.

Ontem, pouco antes de o casal se entregar, o advogado Marco Polo Levorin lembrou que a defesa já obteve uma liminar que libertou o casal da prisão.

Fossen descreve em sua decisão que considera que houve prova material do crime e indícios de autoria do casal. Ele justifica a decretação da prisão não somente para a conveniência do seguimento do processo como também para garantir a ordem pública "com o objetivo de tentar restabelecer o abalo gerado ao equilíbrio social por conta da gravidade e brutalidade com que o crime descrito na denúncia foi praticado".

Isabella

Isabella foi assassinada quando passava o fim de semana com o pai e a madrasta. O promotor Francisco Cembranelli, apresentou a denúncia [acusação formal] na terça-feira (6) contra o casal por homicídio, com três qualificadoras --asfixia, crime motivado por intenção de impunidade e impossibilidade de defesa da vítima.

Para o promotor a criança foi asfixiada por Anna Carolina e jogada do sexto andar do edifício London (zona norte) pelo pai. Na denúncia, Cembranelli também responsabiliza o casal por fraude processual --por ter alterado a cena do crime.

Cembranelli apontou como provas contra o casal laudos periciais e versões de testemunhas. Alexandre e Anna Carolina negam o crime e afirmam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa --assaltante ou desafeto--, que invadiu o apartamento.

Com Felipe Maia, Renato Santiago e Folha de S.Paulo
Colaboração de Camila Neumam

 

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