Cotidiano
08/05/2008 - 18h59

Defesa de Alexandre e Anna Carolina entra com habeas corpus amanhã

da Folha Online

A defesa de Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, pai e madrasta da menina Isabella, 5, entrarão nesta sexta-feira (9) na Justiça com o pedido de habeas corpus (liberdade) para o casal. A informação foi confirmada pelo advogado Ricardo Martins.

Eles se entregaram na noite de ontem (7), horas depois de o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de Santana (zona norte), decretar a prisão preventiva do casal, acusado pela morte da criança.

Alexandre e Anna Carolina agora são réus no processo. Os advogados se reuniram nesta quinta-feira para elaborar o pedido de liberdade, com base na decisão do juiz.

Alexandre foi levado para a carceragem do 13º DP (Casa Verde, zona norte), onde há celas para homens com curso superior completo. Ele passou a noite sozinho na cela, que tem cerca de dois metros quadrados e um colchão.

07.mai.08/Folha Imagem
Com prisão decretada, Anna Carolina e Alexandre são levados para carceragem
Com prisão decretada, Anna Carolina e Alexandre são levados para carceragem

Anna Carolina foi encaminhada para a carceragem feminina do 97º DP (Americanópolis, zona sul). De acordo com informações da delegacia, ela também ficou sozinha na cela, que não tem colchão ou chuveiro. Por volta das 10h de hoje, ela foi transferida para a penitenciária feminina de São Paulo, na zona norte.

Prisão

A prisão do casal foi marcada por tumulto. Alexandre e Anna Carolina deixaram o apartamento dos pais dela, em Guarulhos (Grande São Paulo), algemados. Em frente ao edifício, ao menos 800 pessoas aguardavam a saída dos acusados, segundo estimativas da Polícia Militar.

O pai e a madrasta de Isabella foram colocados no compartimento para presos e seguiram, em veículo da polícia, até o 9º DP (Carandiru, zona norte de São Paulo), onde assinaram o mandado de prisão. Depois, foram levados às carceragens. Anna Carolina chorou.

Alexandre e Anna Carolina são acusados pela morte de Isabella, que foi asfixiada e jogada do apartamento do casal --no sexto andar do edifício London (zona norte de São Paulo)-- na noite de 29 de março. O casal nega o crime e atribui o assassinato a uma terceira pessoa --assaltante ou desafeto--, que teria invadido o apartamento.

Para o promotor Francisco Cembranelli, Isabella foi asfixiada pela madrasta e jogada do apartamento pelo pai. Na denúncia, entregue terça-feira (6) à Justiça, Cembranelli também responsabiliza o casal por fraude processual --por ter alterado a cena do crime.

Ele aponta como provas contra o casal laudos periciais e versões de testemunhas --durante as investigações, mais de 60 pessoas foram ouvidas.

Preventiva

Em seu despacho, o juiz Maurício Fossen afirmou ter levado em consideração a conduta do casal, que "deixa transparecer que se tratam de pessoas desprovidas de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão humana, ainda mais em se tratando do fato de que a vítima seria filha de um deles e enteada do outro".

Fossen descreve em sua decisão que considera que houve prova material do crime e indícios de autoria do casal. Ele justifica a decretação da prisão não somente para a conveniência do seguimento do processo como também para garantir a ordem pública "com o objetivo de tentar restabelecer o abalo gerado ao equilíbrio social por conta da gravidade e brutalidade com que o crime descrito na denúncia foi praticado".

O juiz marcou para o próximo dia 28 o interrogatório do casal. Após a conclusão do processo, os réus vão a julgamento. Em qualquer uma das fases do processo judicial, cabe recurso.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca