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Cotidiano
09/05/2008 - 01h37

Governadora diz desconhecer que existam 300 ameaçados de morte no Pará

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da Agência Brasil, em Brasília

A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, disse nesta quinta-feira (8) desconhecer que exista 300 pessoas ameaçadas de morte no Estado, conforme foi divulgado pela Comissão Pastoral da Terra. "Trezentas [pessoas ameaçadas de execução], no Pará, nós desconhecemos que exista", afirmou.

"Os bispos que nós temos conhecimento, nós já demos toda segurança. Mas nós estamos fazendo um trabalho maior, de inteligência, para detectar de onde estão vindo as ameaças e reprimir o que está causando a violência", disse.

Na terça-feira (6), o bispo da Diocese da Ilha de Marajó (PA), dom José Luiz Azcona, disse que 300 pessoas que vivem no interior do estado do Pará estão sendo ameaçadas de morte por terem denunciado casos de tráfico de seres humanos, exploração sexual de crianças e adolescentes e pedofilia.

Azcona é um dos quatro religiosos ameaçados de morte no Estado. "Não me preocupa tanto a minha segurança pessoal. Se existem 300 homens e mulheres marcados para morrer, isso indica uma sociedade doente, pobre e moribunda", criticou.

A declaração de Azcona ocorreu no mesmo dia em que os acusados de participar do planejamento da morte da missionária Dorothy Stang voltaram a ser julgados no Pará. Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante da morte da religiosa, foi absolvido pela Justiça.

Caso Dorothy

Rayfran das Neves Sales, conhecido como Fogoió, foi condenado a 28 anos de prisão como matador da missionária.

A governadora comentou sobre a revisão do processo do fazendeiro Bida. "Nós acreditamos que é ruim a questão da impunidade e o fato de os mandantes agora terem sido absolvidos. Eu espero que isso possa ser revertido", declarou.

Ana Júlia disse que se a reforma do Código de Processo Penal já tivesse sido aprovada, o novo juri --responsável pela absolvição-- não teria acontecido.

A governadora esteve reunida com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para tratar do Fórum Social Mundial, que deve ocorrer no Pará no próximo ano, e de um projeto de organização territorial no estado.

 

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