Após ameaças, Anna Carolina é levada para unidade onde Suzane Richthofen cumpre pena
da Folha Online
Atualizado às 12h35
Após um protesto das presas da penitenciária feminina de São Paulo (zona norte), Anna Carolina Jatobá, 24, madrasta da menina Isabella, foi transferida na noite de ontem para a penitenciária de Tremembé (147 km de São Paulo). Na unidade também está Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais, em 2002.
As detentas da penitenciária de São Paulo, que souberam da chegada da madrasta por meio de agentes penitenciários, bateram canecas contra as grades, aos gritos de "assassina". Também escreveram no chão de uma das quadras da unidade "Assassina maldita" e "Homenagem a Isabella, presente do dia das mães". Depois, a primeira mensagem foi apagada e substituída pela frase: "Estamos na paz pela vida".
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| Presas deixam mensagem para Isabella em chão de pátio de penitenciária feminina de São Paulo, onde estava Anna Carolina |
A previsão de que Anna Jatobá seria hostilizada na penitenciária havia sido feita na quarta-feira pela delegada Renata Pontes, assistente no 9º DP (Carandiru), responsável pelas investigações da morte da menina. Na ocasião, ela disse que as detentas ameaçavam se rebelar caso Anna Carolina fosse encaminhada para a unidade.
A transferência para a penitenciária no interior do Estado ocorreu à noite, de forma discreta. Na unidade, ela também deverá permanecer isolada.
Para Rogério Neres de Souza --um dos três defensores de Anna Carolina e do marido, Alexandre Nardoni--, a adaptação de Anna Carolina deverá ser mais fácil na penitenciária de Tremembé. "É um local de melhor adaptação, com condições de celas individuais", disse.
Transferências
Após ser presa, Anna Carolina foi levada para a carceragem feminina do 97 DP (Americanópolis, zona sul). Ela passou a madrugada de quinta-feira sozinha na cela e dormiu sobre um papelão, com uma coberta --apesar de ter um colchonete no local.
Na manhã de ontem, ela foi transferida para a penitenciária feminina de Sant'Ana, onde também ficou distante das outras presas. Na ocasião, a Secretaria da Administração Penitenciária informou que ela ficaria no chamado regime de observação, isolada por ao menos dez dias.
Alexandre Nardoni, permanece na carceragem do 13º DP (Casa Verde). Durante o dia de ontem, ficou isolado em uma cela e, à noite, foi colocado com outros presos. Nesta sexta, no entanto, após ser hostilizado, o pai de Isabella voltou a ser colocado em uma cela individual.
Preventiva
A prisão preventiva de Anna Carolina e de Alexandre foi decretada na quarta-feira (7) pelo juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri de Santana, que aceitou a denúncia (acusação formal) apresentada pelo Ministério Público. O casal foi preso horas depois.
A defesa deve apresentar hoje o pedido de habeas corpus para o pai e a madrasta de Isabella. A menina foi morta em 29 de março, quando passava o fim de semana com casal e dois irmãos menores.
Para o promotor Francisco Cembranelli, Isabella foi asfixiada pela madrasta e jogada do apartamento pelo pai. Na denúncia, entregue terça-feira (6) à Justiça, Cembranelli também responsabiliza o casal por fraude processual --por ter alterado a cena do crime.
O casal nega envolvimento no crime e atribui a morte da menina a uma terceira pessoa --assaltante ou desafeto--, que teria invadido o apartamento.
Com Folha de S.Paulo
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